O governador do Pará, Helder Barbalho, ao invés de estar ao lado do Estado, prefere dar regalias à empresa SKN, que vendeu ao Pará respiradores inservíveis (foto: reprodução)

Tenho para mim que Helder Barbalho está sofrendo um tipo transtorno que os psicólogos chamam de “Síndrome de Estocolmo”. A doença costuma se desenvolver em pessoas que sofreram intimidações prolongadas, como as vítimas de sequestro ou tortura. Devido aos abusos, as vítimas passam a ter simpatia e até defender seus agressores.

A síndrome foi identificada há mais de 40 anos em um assalto a banco ocorrido na Suécia em que, após dias de cativeiro, os reféns passaram a desenvolver laços de afeição com os seus sequestradores.

Não sou nenhum especialista nem nada, mas para mim, os sintomas ficaram demasiadamente claros nas últimas condutas que o governador passou a ter.

Explico…

Segundo seus próprios relatos, ele, caindo no bom e velho “Conto do Vigário”, teria comprado pelo aplicativo WhatsApp, muito acima do valor de mercado, respiradores defeituosos para atender as vítimas do novo coronavírus do estado do Pará.

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Pagou antecipadamente R$ 29 milhões, todavia recebeu apenas uma parte do produto e, para completar, com defeito.

A bem da verdade, os produtos não estavam exatamente com defeito, apenas se destinavam a acadêmicos de Medicina e não se prestam a salvar vidas. Logo que descobriu, correu para às redes sociais e à imprensa e disse firmemente, “aqui não!”, e prometeu recuperar o dinheiro perdido e punir severamente aqueles que os fizeram de trouxa.

Naturalmente, quem foi vítima de um golpe como o estelionato, sabe que o crime atinge não só o patrimônio como a honra da vítima que acreditou em um “Negócio da China”. No caso de Helder, sua imagem de gestor sagaz havia caído por terra, ao ser enganado de forma tão infantil e primária.

Em vez de procurar ajudar a polícia, no caso a Polícia Federal, a investigar os criminosos que o fizeram de trouxa, o que fez o governador?

Mandou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) impetrar Mandado de Segurança para afastar a Polícia Federal das investigações. Digam lá, isso não é sintoma clássico da Síndrome de Estocolmo?

A coisa foi tão surreal que o advogado da União, Bruno Vianna Zappelli de Oliveira, que atuou no caso, disse nunca ter visto nada igual, uma vez que o estado do Pará estava, em nome próprio, defendendo direito alheio, qual seja: o da empresa SKN do Brasil, que intermediou a compra dos respiradores.

Ora, quem de nós iria recusar ajuda da Polícia Federal para ver seus algozes punidos e seu dinheiro recuperado?

Muito pelo contrário, se fosse eu pediria ajuda para Interpol, Scotland Yard, CIA, Nasa, MI5 e qualquer um que resolvesse ajudar.

Mas os sintomas da Síndrome de Estocolmo não pararam por aí. Helder buscou a Justiça para fazer um acordo patrimonial com a empresa para ter, ao menos, os valores pagos pelo Estado devolvidos. O juiz do caso estabeleceu o prazo de sete dias para a devolução integral dos R$ 25,2 milhões aos cofres do Estado.

Não quero aqui nem mencionar o quanto esse acordo era benéfico à empresa SKN, uma vez que não previa o pagamento, nem de multas e nem de juros.

O prazo se esgotou e a empresa pagou apenas R$ 12,5 milhões, na quarta-feira, 20. E o que fez Helder Barbalho? Para surpresa de todos nós, como vítima da Síndrome de Estocolmo, partiu em defesa da empresa, claro.

Segundo a PGE, a empresa estaria mostrando agir de boa-fé e, portanto, propôs novo prazo para devolução dos valores fixados em acordo judicial homologado pelo juiz titular da 5ª Vara da Fazenda Pública de Belém, Raimundo Santana.

Os que lançam levianas dúvidas sobre o caráter de nosso governador estão enganados e não estão se dando conta de que ele, tanto quanto nós, é vítima desses perigosos bandidos.

A culpa, francamente, só pode ser da Síndrome de Estocolmo.

Por Eduardo Cunha |Pará Web News

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