Morador sendo entrevistado (Foto: divulgação)
Morador sendo entrevistado (Foto: divulgação)
Morador sendo entrevistado (Foto: divulgação)

Além de funcionar, segundo as autoridades ambientais, como entreposto de exploração ilegal de madeira, Tailândia também ganhou destaque nacional por ocupar a sexta posição no Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros de 2008, com média de 96,2 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Entre os moradores, há aqueles para quem a classificação não reflete o cotidiano local e outros que contam histórias que justificam a fama. Em comum, a ressalva de que há muita “gente de bem” na cidade e algumas explicações para os homicídios computados.

“Esse alto índice de homicídio está em estatística ultrapassada. Ano passado, o número de homicídios caiu depois que um grupo de extermínio foi preso em nossa cidade”, argumentou o prefeito Paulo Jasper (PSDB), o Macarrão, dizendo ser injusta a classificação da cidade no ranking da violência.

Na zona rural, o pedreiro Damião (que não revela o sobrenome nem deixa fotografar o rosto por temer represálias) diz haver um grupo de pistoleiros especializado em invadir áreas que têm muita madeira e extrair tudo. Segundo ele, criminosos também praticam roubo seguido de morte em estradas vicinais.

Para Damião, a polícia local “faz vista grossa”. Ele teme pelo aumento da violência quando a tropa da Força Nacional de Segurança que participa da Operação Arco de Fogo deixar a cidade. “Tem que vir mais investigadores para cá”, defendeu.

Silas de Almeida, 43 anos, diz que em muitos casos vítimas de assaltos preferem não dar queixa em delegacias porque “podem ser mortas depois”.

O corretor Daniel Monteiro, por sua vez, não vê necessidade de grande preocupação da comunidade com a violência. “Quem fica até tarde da noite na rua, nas madrugadas, acaba encontrando confusão. Mas pelo tamanho e por ter gente de todas as regiões do Brasil, acho a cidade até calma”, avaliou. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possui 66 mil habitantes.

O comerciante Ademar Farias, há 18 anos em Tailândia, alega que homicídios ocorridos em municípios vizinhos, nas divisas, acabam sendo incorporados às estatísticas locais. E reclama que a imprensa passa uma imagem distorcida da realidade local. “Não é terra de bandido. Estou aqui e sou cidadão de bem. Somos é obrigados a trabalhar de sol a sol, pagando imposto para manter salário da governadora e dos deputados”, afirmou Farias.

A prefeitura de Tailândia estima que 70% do dinheiro que circula na cidade venha da madeira. O nome da cidade foi dado, confirmam moradores mais antigos, por militares que na década de 70 compararam a luta por terras na região a uma guerra que ocorria no país asiático homônimo.

A Tailândia brasileira foi emancipada em 10 de maio de 1988, pela Lei Estadual 5.452 . Até então, pertencia ao município de Acará (PA).

 

Marco Antônio Soalheiro
Agência Brasil

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