Adriana Folador – Crédito: Divulgação

Um grupo de cientistas brasileiras, entre elas uma paraense, foi premiada pela Organização das Nações Unidas Para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Trata-se da 14ª edição do programa “Para Mulheres nas Ciências”, dedicado a jovens cientistas brasileiras.

Adriana Folador, natural de Belém, biomédica e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), estuda a genética da resistência a antibióticos em pacientes e no meio-ambiente da Amazônia.

“A proposta da pesquisa é disponibilizar em uma plataforma todos os dados levantados para que outros pesquisadores também tenham acesso”, contou em entrevista ao portal EnfoqueMS.com.br.

A professora acredita ainda que tecnologia farmacêutica disponível não é suficiente para diminuir as infecções provocadas pela resistência antimicrobiana – pode, inclusive, agravar a situação. Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde, esse fenômeno será, em 2050, a principal causa de morte no mundo.

A cientista acredita também que avaliar os ambientes de uma forma mais integrada é a melhor maneira de compreender o processo de reprodução, interação e evolução dessas bactérias.

“Um gene de resistência encontrado em um hospital pode ter origem em uma bactéria ambiental”, exemplificou Adriana. Ela faturou o prêmio na categoria ‘Ciências da Vida'.

A cientista quer avaliar a presença de bactérias resistentes na região da Amazônia:

De acordo com Adriana, a água é um dos principais veículos de comunicação entre os locais em que há bactérias, afinal toda atividade humana gera resíduos, que vão para a água ou para o solo. Por isso, a pesquisadora pretende avaliar a presença de bactérias resistentes na Amazônia.

“Vamos coletar amostras em sistemas aquáticos, como rios e lagos, em ambientes hospitalares e pacientes, e também em produtos de origem animal, como leite e queijo, e animais sabidamente doentes”, conta.

Além disso, para Adriana, embora a indústria farmacêutica busque novos antibióticos com capacidade para matar bactérias multirresistentes, não é possível desenvolver novas substâncias antimicrobianas na mesma proporção que os microrganismos adquirem resistência no meio ambiente.

Daí a importância e o desafio de mobilizar outras áreas da ciência para uma investigação interdisciplinar e de conscientizar os pequenos agricultores do Norte do Brasil.

Premiação traz mais visibilidade para as mulheres e cientistas do Norte

Adriana Folador tem interesse pela área de resistência a antibióticos desde que participou, como colaboradora, de um projeto coordenado por seu orientador de doutorado e em parceria com a Universidade de Aveiro (Portugal). O projeto conjunto, iniciado em 2012, envolvia a caracterização genética das bactérias encontradas no ambiente aquático na Amazônia.

A biomédica, que lidera os projetos de pesquisa no Centro de Genômica e Biologia de Sistemas da UFPA, acredita que os recursos obtidos pelo prêmio ajudarão a trazer mais visibilidade para a Amazônia e para a presença das mulheres científicas na região Norte.

“Fazer ciência aqui tem desafios extras pela dificuldade de acesso aos insumos e tecnologias, aliados aos desafios de ser mulher e cientista. Eu não esperava ganhar. Quando recebi a ligação, nem acreditava. Uma notícia maravilhosa!”, comemora.

Todo ano, sete jovens pesquisadoras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática são contempladas com uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil, cada, para darem prosseguimento aos seus estudos.

Neste ano foram contempladas: Aline Miranda (UFMG), Adriana Folador (UFPA), Josiane Budni (UESC), Marina Trevisan (UFRGS), Jaqueline Mesquita (UnB), Taícia Fill (Unicamp) e Patrícia de Medeiros (UFAL).

O programa já reconheceu e incentivou cerca de 90 pesquisadoras, premiando a relevância dos seus trabalhos, com a distribuição de aproximadamente R$ 4 milhões em bolsas-auxílio.

Com informações do portal EnfoqueMS.com.br e da página paramulheresnaciencia.com.br

Fonte: Roma News.

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