(Foto: Ascom Sebrae)

Para que haja desenvolvimento contínuo da produção de cacau no Pará são necessários vários cuidados, entre eles, o zelo com a plantação, com a colheita e com beneficiamento da matéria prima; a instalação de mais fábricas e indústrias e um ponto chave: apresentar ao mundo a qualidade do nosso produto. Mas para que isso aconteça de forma ainda mais efetiva, alguns incentivos são necessários. No Pará, a Lei nº 7.093, de 16 de janeiro de 1998, instituiu o Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará), que distribui recursos para as áreas de pesquisa, assistência técnica, incentivo à produção de sementes híbridas e, sobretudo, para beneficiar diretamente cooperativas ou associações que tenham como objetivo a criação de pequenas e médias indústrias.

(Foto: Ascom Sebrae)
(Foto: Ascom Sebrae)

Um exemplo de sucesso é o da Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans), ao criar a marca “Cacaway”, que apesar do nome soar estrangeiro, foi uma das primeiras indústrias de chocolate tipicamente paraense. “Eles chegaram até a Sagri, apresentaram o projeto e o Conselho Gestor do Funcacau aprovou a ideia. Em 2009 foi liberada a quantia de R$2 milhões para o início das operações. A Ceplac também foi parceira nessa iniciativa, doou a área onde o prédio foi construído. Acreditamos que eles (Cacaway) têm tudo para crescer cada vez mais sua produção e atingir outros estados brasileiros levando chocolate da melhor qualidade”, informou o gerente do Funcacau na Sagri, Arnaldo Martins.

Medicilândia, município do sudeste paraense onde está a Cacaway, é o maior produtor de cacau do país. Lá são produzidos uns dos melhores cacaus orgânicos do mundo. Sua plantação se assenta em uma área de 35 mil hectares, onde são colhidos entre 1,5 e 3 mil quilos de amêndoas por hectare de terra (maior média do mundo), o que gerou, em 2013, uma produção anual de 47 mil toneladas, com tendência a crescer ainda mais nesse ano.

Sede da Coopatrans em Medicilândia - onde se produz o chocolate da marca Cacauway. (Foto: Divulgação)
Sede da Coopatrans em Medicilândia – onde se produz o chocolate da marca Cacauway. (Foto: Divulgação)

Por isso, as metas da indústria são tão altas quanto à capacidade produtiva do município. “Hoje, a Cacauway produz cerca de 60Kg de chocolate por dia de diferentes tipos e gramaturas, todavia a meta é chegar, em pouco tempo, aos 500Kg. São barras de chocolate com teor de cacau que variam entre 30% a 70%, acrescidas de 15 variedades de recheios. Possuímos oito lojas da marca em diversos municípios como Medicilândia, Uruará, Placas, Brasil Novo, Altamira, Marabá e Belém. Nosso objetivo é expandir para outros estados e nos tornarmos grandes produtores de chocolates finos. Estamos trabalhando muito para isso e acreditamos nessa meta”, disse Ademir Venturin, presidente da Coopatrans.

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Consumo – O cacau paraense vem despontando como o melhor e o mais capaz de produzir o melhor chocolate do mundo. Solo, clima, cultivo, manejo, beneficiamento… Todas essas etapas realizadas com o “toque paraense” deixam o produto pronto para alcançar o mundo.

A demanda por chocolate é crescente, as indústrias fazem cada vez mais pressão por maiores quantidades de matéria prima que possibilite a produção do chocolate gourmet (fino). Pesquisas recentes afirmam que haverá déficit na oferta do produto em pouco tempo, já que a demanda por esse chocolate que traz benefícios à saúde, aumentou bastante. A média de consumo anual, que já foi de 700 gramas ao ano por pessoa, já é de 2,5 quilos.

O chocolatier ‘De Mendes', reafirma essa tendência e revela quem tem maior potencial para oferecer essa matéria prima de qualidade. “Meu objetivo aqui é desenvolver a chocolataria gourmet com produtos especiais e criar um catálogo variado de chocolates. Não tenho dúvida alguma de afirmar que o Pará é o melhor local do mundo para descobrir esses novos sabores e aromas. Aqui existem 25 mil espécies diferentes de cacau, cultivados em cinco biomas distintos, além de possuir características naturais ideais, o que aumenta as variedades e enriquece muito a criação de produtos equilibrados e saudáveis”, explica.

O chocolatier De Mendes. (Foto: arquivo pessoal)
O chocolatier De Mendes. (Foto: arquivo pessoal)

De Mendes aconselha o que deve ser feito para atender ao público mais exigente. “Os chocolates comerciais, que a maioria das pessoas conhece, são saborosos, mas infelizmente pouco nutritivos e saudáveis. Os produzidos no Pará possuem uma quantidade enorme de polifenóis, substâncias antioxidantes de propriedades terapêuticas e medicinais, que reduzem as chances do surgimento de doenças cardiovasculares, depressão, entre outros males”, detalha e orienta que, quanto mais natural for o cacau, maior a concentração de polifenol, assim como quanto maior o percentual de cacau na barra de chocolate, mais polifenol concentrado e maior os benefícios à saúde.

“O cacau do Pará é muito mais que um produto, é uma tradição primitiva, é cultura, é naturalidade, é uma experiência sensorial, é o verdadeiro sabor do chocolate. Por isso, os maiores produtores de chocolate do mundo têm no Estado uma grande oportunidade de adquirir as melhores amêndoas para produção de chocolate, além da garantia de grande escala de produção e de fluxo, devido as enormes grandes áreas de plantio. Por tudo isso, o Estado do Pará pretende oferecer ao mundo do Chocolate um produto de excelente qualidade, inovador e que respeita a natureza”, afirma o chocolatier.

O estudioso dessa delícia, é ainda sócio da Cacau da Amazônia, fábrica de chocolates tipicamente regional, e que já expandiu tanto, que está prestes a abrir um local ainda maior, no município de Santa Bárbara, no nordeste do Estado, onde haverá produção em grande escala do melhor chocolate. De Mendes, já tem inclusive um chocolate com sua assinatura, um produto fino, que é comercializado no Rio de Janeiro, em São Paulo e em uma loja de produtos orgânicos em Toronto, no Canadá, onde é vendido a preço de ouro!

Por estudar o potencial do Pará, a Ceplac, responsável por dar todo o suporte à produção de cacau no Brasil, estipula metas altas para o Estado, entre elas, chegar à produção de 250 mil toneladas de cacau por ano no Pará, o que possibilita um ambiente ainda mais favorável para o crescimento. Desta forma, logo você terá a oportunidade de ver e provar chocolates finos de excelente qualidade com selo de qualidade paraense.

ORM News | Arte: Dheremy Vale | Fotos: Heloá Canali | Edição: Elisângela Soares

 

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