Jornalistas Orly Bezerra e Ronaldo Brasiliense (foto: reprodução)

O contexto

Conforme publicado em seu blog, pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, em 28 de abril, a polícia civil do Pará cumpriu mandados de busca e apreensão em Belém, nas casas de três blogueiros: Eduardo Sarmento Cunha, Diógenes Silva Brandão e Jhonathan Souza da Silva, responsáveis pelos blogs Amazon Live, Falas da Pólis e Pará Web News.

Os três foram acusados de disseminar notícias falsas em redes sociais e portais jornalísticos. A polícia apreendeu ainda aparelhos eletrônicos e de informática, documentos, cadernos de anotações e outros objetos de uso pessoal dos investigados.

Esta semana
Na última terça-feira (16), de posse de um novo mandado judicial, a polícia voltou às ruas na segunda etapa da investigação. Fez busca e apreensão em duas residências e uma agência de publicidade. Uma das casas e a agência, a Griffo, pertencem ao jornalista e publicitário Orly Bezerra.

Jornalistas Orly Bezerra e Ronaldo Brasiliense (foto: reprodução)

Apreensões
Além de aparelhos e documentos, a polícia encontrou 90 mil reais, em moeda nacional (R$ 15 mil) e em moeda estrangeira (13 mil euros e pequenos valores em outras moedas). A outra residência seria de Nonato Pereira, que é apresentador de um programa de rádio em Belém, que já foi processado na justiça.

Acusação de organização criminosa contra blogueiros e jornalistas
O objeto da investigação seria uma associação criminosa especializada em criar notícias falsas, principalmente contra o governo Helder Barbalho, do MDB, que seria vítima de calúnias, sob financiamento não declarado. Sutilmente, as fotos feitas pela própria polícia sugerem que o dinheiro apreendido poderia ser destinado a essa campanha, que teria o comando de Orly Bezerra (possivelmente em articulação com o ex-governador Simão Jatene), estendendo-se a blogueiros, locutores e jornalistas, como Ronaldo Brasiliense, outro visado pelo mandado judicial. Seria a suposta organização criminosa que a polícia busca.

Casa de Ronaldo Brasiliense, após três horas de busca e apreensão da Polícia Civil do Pará (foto: reprodução)

Segredo de justiça
O processo continua em segredo de justiça, embora se trate de relevante assunto de interesse público. O sigilo nunca se justificou, menos ainda agora, quando duas operações policiais foram realizadas no intervalo de quase um mês, com a divulgação de imagens da ação, mas nenhum comunicado oficial. À falta de informações, sobram interpretações e especulações.

Entidades de jornalistas emitem nota oficial
Nesta quinta-feira (18), entidades que representam jornalistas emitiram nota sobre as ações do governo. Leia na íntegra:

O Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará (Sinjor/PA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vêm a público afirmar que o combate à propagação de notícias falsas é absolutamente necessário diante da conjuntura nacional. Porém, a atuação dos agentes públicos não pode resultar em ações arbitrárias e tampouco no uso político das forças de segurança estaduais contra jornalistas.

Na terça-feira, 16, os jornalistas Orly Bezerra e Ronaldo Brasiliense (foto) foram surpreendidos com uma investida da Polícia Civil em suas residências, para cumprir mandado de busca e apreensão em um inquérito em que, somente mais tarde, se soube que seria sobre investigação de fake news. Os policiais chegaram à residência de Orly Bezerra às 6 horas e fizeram a mesma operação na agência Griffo, também de sua propriedade.

Às 15 horas, a Polícia Civil de Santarém fez a mesma busca na casa de Ronaldo Brasiliense, no município de Óbidos, no oeste paraense. Em ambos os casos, os policiais levaram equipamentos – celulares e computadores -, contendo os acervos de trabalho dos dois profissionais, além de documentos.

O combate às fake news é legítimo e preciso. Porém não pode representar censura, ou intimidação, aos profissionais da comunicação no exercício de sua missão de informar à sociedade, com ética e responsabilidade social.

Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará
Federação Nacional dos Jornalistas

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