O Estado do Pará ocupou a sexta colocação no Brasil na taxa de homicídios em 2014, quando foram registradas 42,6 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes. O Estado só é menos violento que Alagoas, onde a taxa de homicídios alcançou 66 homicídios por 100 mil habitantes; Ceará (52,2), Sergipe (49,4), Rio Grande do Norte (46,2) e Goiás (42,7). É o que revela o Atlas da Violência 2016, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

De acordo com o estudo, em 10 anos – de 2004 a 2014 – houve um crescimento de 93,5% na taxa de homicídios no Pará. Em números de homicídios, o acréscimo, no mesmo período, foi de 126,5%, passando de 1.522 registros para 3.447 – quase 10 assassinatos por dia. No entanto, a pesquisa aponta que o Estado tem reagido nos últimos anos, com queda de 8% na taxa de homicídios entre 2010 e 2014, e de 1,2% entre 2013 e 2014. Em números absolutos, os resultados são mais tímidos. Foram 98 homicídios a menos (-2,76%) na análise do período de quatro anos e o aumento de cinco casos no intervalo dos últimos dois anos analisados.




De acordo com o levantamento, o Pará é o Estado que apresenta o maior número de microrregiões na lista das vinte mais violentas do País. É o caso de Altamira, na oitava posição, com taxa de 71,7 homicídios a cada 100 mil moradores; Parauapebas (11ª), com taxa de 70,1; Marabá (13ª), com taxa de 64,8; e Belém (20ª), com taxa de 60,1. Nesse ranking, a aglomeração urbana de São Luís e de Fortaleza aparecem como as mais violentas do País, com taxas de 84,9 e 81,1 respectivamente. Cotegipe, na Bahia, aparece como a mais pacífica, com média de 1,8 para cada 100 mil.

A pesquisa constata que, no geral, as taxas de homicídios têm diminuído nas grandes cidades e aumentado no interior. No Pará, por exemplo, a região Bragantina, que compreende os municípios de Augusto Corrêa, Bonito, Bragança, Capanema, Igarapé-Açu, Nova Timboteua, Peixe-Boi, Primavera, Quatipuru, Santa Maria do Pará, Santarém Novo, São Francisco do Pará e Tracuateua, foi a sexta que mais aumentou o índice de homicídios no País em uma década: 721,21%.

No rol das vinte microrregiões que mais expandiram na taxa de homicídio entre 2004 e 2014, ainda aparece a do Salgado (Colares, Curuçá, Magalhães Barata, Maracanã, Marapanim, Salinópolis, São Caetano de Odivelas, São João da Ponta, São João de Pirabas, Terra Alta e Vigia), na 13ª posição, com alta de 447,76%. Pelo levantamento, a microrregião de São Paulo (SP) foi a que mais reduziu (-64,98%) no período e a de Senhor do Bonfim (BA) a que mais cresceu (1.136,90%).

‘Ao analisar as vinte microrregiões com maior crescimento das taxas de homicídios, verificamos dois pontos importantes. O primeiro é a velocidade com que a piora veio ocorrendo. O segundo ponto extremamente preocupante é que esse esgarçamento das condições de segurança alcançou localidades que, até o início dos anos 2000, eram bastante pacíficas, como é o próprio caso de Senhor do Bonfim e Serrinha, na Bahia, e Bragantina, no Pará. Esse crescimento acelerado dos homicídios em localidades interioranas e até pouco tempo atrás bastante pacíficas coloca um enorme desafio ao Pacto Nacional pela Redução dos Homicídios, anunciado recentemente pelo Ministério da Justiça, que focará nos 81 municípios com maiores índices de homicídios', ressaltam os pesquisadores do Atlas da Violência.

Número de jovens vítimas de assassinato cresceu 122% em dez anos

O Atlas da Violência também mostra que entre 2004 e 2014 houve um crescimento de 122,7% no número de jovens assassinados no Pará, quando o número passou de 815 em 2004, para 1.815, em 2014. Verificando os dados dos dois últimos anos considerados no estudo, houve aumento de 0,8% nos homicídios de jovens na faixa etária de 15 a 29 anos no Estado. Considerando a taxa do 100 mil habitantes, em 10 anos o Pará apresentou variação de 100,9% e de 0,4% no período de 2013 a 2014. Em 2004, o Estado apresentava 39,5 mortes de jovens por grupo de 100 mil habitantes, e, em 2014, essa taxa chegou a 79,3 – sendo só no universo masculino do Pará de 145,9/100 mil.

‘Seria possível afirmar que a educação é um escudo contra os homicídios […]. As chances de um indivíduo com até sete anos de estudo sofrer homicídio no Brasil são 15,9 vezes maiores do que as de alguém que ingressou no ensino superior, o que demonstra que a educação é um verdadeiro escudo contra os homicídios', alerta o documento.

De acordo com os pesquisadores, o pico dos homicídios entre a população masculina ocorre aos 21 anos. A pesquisa também mostra que a proporção de mortes para os indivíduos que possuem menos do que oito anos de estudo, em relação àqueles com grau de instrução igual ou superior a esse limite, as chances de vitimização para os indivíduos com 21 anos de idade e pertencentes ao primeiro grupo são 5,4 vezes maiores do que os do segundo grupo.

A pesquisa ainda traz que 72% dos homicídios registrados no Pará em 2014 (2.478 casos) foram cometidos com arma de fogo. Foi um crescimento de 172,6% em relação ao número de 2004 e de 3,6% na comparação com 2013.

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