Presos por esquema prestaram depoimento na Delegacia Geral nesta quarta-feira (1º). (Foto: Polícia Civil)
Presos por esquema prestaram depoimento na Delegacia Geral nesta quarta-feira (1º). (Foto: Polícia Civil)
Presos por esquema prestaram depoimento na Delegacia Geral nesta quarta-feira (1º). (Foto: Polícia Civil)

Uma operação denominada “Crashwood”, realizada em parceria pela Polícia Civil do Pará e a Secretaria de Meio-Ambiente e Sustentabilidade (Semas), resultou nas prisões de dez pessoas, em Belém e no interior do Estado, acusadas de envolvimento em um esquema que fraudava dados de valores em créditos florestais no Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora). Até o final da manhã desta quarta-feira (1º), sete pessoas haviam sido conduzidas para a sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil, em Belém.

As investigações iniciaram em fevereiro deste ano, e apontaram um desvio superior a R$ 400 milhões em créditos de produtos florestais (valores revertidos a projetos de manejo florestal em áreas de floresta nativa aprovados pela Secretaria).

Durante a operação, duas pistolas calibres 380, um revólver calibre 38 e uma escopeta 12 foram apreendidas em posse de acusados de envolvimento no esquema e também responderão pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações iniciaram há quatro meses, quando foi constatada pelo Ibama a inserção fraudulenta de 121.391,300 metros cúbicos de madeira em créditos florestais no Sisflora em nome da empresa Madeireira Sagrada Família.

Parte dos créditos chegou a ser vendida para empresas do ramo madeireiro desacompanhados do produto florestal respectivo. De acordo com a Polícia Civil, os créditos foram utilizados para “esquentar” madeiras de desmatamento ilegal no interior do

Além da Sagrada Família, outras 11 madeiras são citadas nas investigações como sociedades empresariais às quais foram emitidas as Guias Florestais.

Sobre as investigações, o delegado Marcos Miléo disse que uma das empresas alegou ter recebido a madeira, e não só os créditos, proveniente da madeireira Sagrada Família, no montante de 800m3 de Ipê. Assim que houve a constatação do esquema, os DVPFs emitidos foram bloqueados no sistema pelo órgão ambiental para impedir o prosseguimento da comercialização dos créditos.

O delegado detalha que a operação está em sua segunda fase. Na primeira fase, foi presa uma ex-servidora da Semas, acusada de ter lançado os créditos fraudulentos na pasta da madeireira Sagrada Família no Sisflora.

Também foi preso o então dono do empreendimento, em Pacajá, sudeste do Pará. As empresas “fantasmas” são usadas na comercialização de créditos florestais, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. De janeiro a junho de 2015, a associação criminosa movimentou mais de 400 mil m3 em produtos florestais, o que representa mais de R$ 400 milhões em dinheiro.

Além de combater o esquema fraudulento, a operação atuou no combate e prevenção do desmatamento e outros crimes ambientais na região amazônica. “Temos a obrigação legal de fazer a gestão de recursos florestais, como o Sisflora, e para isso contamos com um serviço de inteligência, que sempre nos repassa informações ao constatar a atuação de associações criminosas e assim mantemos contatos com os órgãos ambientais e policiais”, destaca o superintendente do Ibama, Hugo Américo. Ele ressalta que as prisões e apreensões realizadas durante a operação representam mais de 15 mil caminhões de transporte de madeiras que deixaram de circular de forma ilegal.

OSTENTAÇÃO

 Todas as pessoas investigadas mantinham uma vida de alto padrão. A Polícia Civil ressalta que entre os presos, um deles havia negociado um relógio um relógio Rolex a R$ 60 mil pela internet. Outro chegou a divulgar fotos em uma rede social, em que fazia poses em cima de pilhas de madeira. Outro acusado havia pago um voo particular de São Paulo para Paris. Tudo com valores obtidos no esquema.

Dentre os presos de hoje, havia um despachante, que atuava junto à Semas, e um ex-servidor do órgão, além de uma engenheira florestal, sem vínculo com a secretaria. Ela já havia sido condenada pela Justiça Federal, por fomentar a atuação de empresas “fantasmas”. Outros presos são empresários que atuam na prática de crimes ambientais e fraudes. Um deles, detalha Marcos Mileo, já foi condenado pela Justiça Federal à pena de 24 anos de prisão e recorria atualmente em liberdade. Outro preso cumpria prisão domiciliar por outro crime.

 

(Com informações da Polícia Civil)

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