Várias reivindicações estão na pauta dos servidores do Diário e do DOL.  Novo ato público às 5h da tarde, na RBA.

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DIÁRIO – “E o salário, ó!!!”

CHICO ANYSIO -  E O SALÁRIO, Ó!

Segue a transcrição, na íntegra, da mensagem aos leitores dos jornalistas do Diário do Pará e do DOL, que nesta segunda-feira, 23, a partir das 8 horas da manhã, promovem um novo protesto diante do edifício-sede do grupo RBA, na avenida Almirante Barroso. A mensagem intitula-se, irreverentemente, “E o salário, ó!!!”, reproduzindo o bordão celebrizado nacionalmente pelo Professor Raimundo, o personagem imortalizado pelo humorista Chico Anysio (foto). O personagem foi batizado por Chico Anysio como Raimundo Nonato Canavieira, um professor fictício que dedicou sua vida ao magistério e, como típico professor brasileiro, é mal remunerado, daí o bordão célebre – “E o salário, ó!!!” –, acrescido do gesto que junta o indicador e o polegar da mão, sinalizando a remuneração vil. A este se soma outro bordão, igualmente famoso, do Professor Raimundo, que serve para designar rapidez na tarefa a executar: “É vapt-vupt!“.

        “E o salário, ó!!!
        “A você, leitor
        “Imagine trabalhar num lugar sem água mineral, sem papel higiênico nos banheiros, sem sabão para lavar as mãos. Um lugar com cadeiras quebradas, aparelhos de ar-condicionado sempre com defeito, baratas, goteiras.
        “Nós, trabalhadores do jornal Diário do Pará e do portal Diário Online, não precisamos imaginar. É esse o ambiente de trabalho em que passamos boa parte de nossas vidas preparando o jornal que você lê logo no café da manhã.
        “O glamour que cerca nossa profissão encobre a realidade que enfrentamos todos os dias. Mas é para trazer a verdade à tona que iniciamos um movimento em busca de um salário mais justo e melhores condições de trabalho. Tentamos dialogar, mas a direção do jornal, que pertence à família Barbalho, insiste em deixar as coisas como estão. Isso não pode continuar. Há jornalistas ganhando menos de R$ 1.000 como salário. E colegas que trabalham que trabalham cobrindo a violência obrigados a ir para a linha de frente sem coletes à prova de bala ou carros com segurança.
        “Já estamos sofrendo com assédio moral e demissões de funcionários que participam da luta. Perguntamos à sociedade paraense: vocês querem esses senhores como representantes políticos?
        “Apesar de todas as dificuldades, seguiremos firmes. E precisamos também da sua ajuda. ‘Apenas começamos’, como cantou Renato Russo, um jornalista de formação e coração.

DIÁRIO – Paralisação tem adesão de 90%

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Fontes distintas dos grevistas asseguram que a paralisação tem a adesão de 90% da redação do Diário do Pará e do DOL. A página que os grevistas mantêm no Facebook (cujo endereço eletrônico é https://www.facebook.com/grevediarioedol?fref=ts ), sobre o movimento, inclui, desde este último sábado, 21, uma foto da redação do Diário do Pará na sexta-feira, 20, quase deserta (reproduzida acima). Os Barbalho e seus prepostos estão valendo-se dos repórteres das sucursais e de freelances para sustentar o noticiário e passar a ideia de normalidade, na clara intenção de enfraquecer a paralisação, relatam os grevistas. Dentre os jornalistas supostamente contratados como freelances são citados Bruna Dias, Madson Santos e Nildo Lima. Por isso o apelo aos jornalistas, disseminado pelos grevistas via redes sociais, para que não aceitem propostas de freelances dos Barbalho, para não enfraquecer o movimento.

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Sobre a contraproposta de um piso salarial de R$ 1.300,00 e estabilidade de seis meses para os grevistas, mas que exclui expressamente a readmissão do repórter Leonardo Fernandes, os jornalistas em greve decidiram desconsiderá-la, na reunião deste último sábado, porque não foi formalizada. Segundo os relatos dos grevistas, a contraproposta foi verbalizada informalmente por Francisco Melo, diretor do grupo RBA, em uma reunião improvisada nos corredores da redação do Diário do Pará, na sexta-feira, sob a tensão da deflagração da paralisação. De concreto, até aqui, existe apenas o “Comunicado aos jornalistas”, enviado por e-mail pela direção da empresa, a todos seus funcionários, tentando desqualificar a greve. Os jornalistas em greve sublinham que nada surgiu de mais positivo da reunião com uma comissão de representantes da empresa, formada por Gerson Nogueira, do Diário do Pará; Cláudio Darwich, do DOL; Cléa Mendes, do Recursos Humanos; e pelo advogado do grupo RBA.
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DIÁRIO – As reivindicações dos grevistas

A pauta de reivindicações dos jornalistas do jornal Diário do Pará e do portal Diário Online inclui:
1 – Piso salarial de R$ 1.908,25 para todos os jornalistas que trabalham no jornal Diário do Pará e no Diário Online, lotados nas funções de repórter, repórter fotográfico, produtor, webjornalista, diagramador, ilustrador e multimídia. Com progressão a cada ano de trabalho efetivo, partindo da categoria A à categoria C.
2 – O estabelecimento de um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR), com estabelecimento de categorias A, B e C para todas as funções referidas no item anterior.
3 – Inclusão de editores do Diário do Pará e coordenadores do Diário Online no Acordo Coletivo 2013, estabelecendo piso salarial para tais categorias, com acréscimo de 40% sobre o piso salarial de repórter.
4 – Instituição do tíquete-alimentação de R$ 253,25. Esta é a estimativa da cesta básica deste ano feita pelo Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
5 – Reintegração ao quadro de funcionários da empresa do repórter Leonardo Fernandes, lotado no caderno “Você”, do jornal Diário do Pará. A demissão do jornalista é interpretada como uma clara retaliação ao movimento por melhorias salariais e das condições de trabalho.
6 – Avaliação dos dados do quadro funcional do Diário do Pará e do Diário Online nos últimos 12 meses, para saber se foram feitas todas as reposições dos postos de trabalho, ou se está havendo sobrecarga de atividades aos jornalistas e estagiários que trabalham na empresa.
7 – Inclusão, no acordo coletivo, do início de uma discussão com a direção do jornal para a construção de uma proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), como forma de recompensa pela nossa participação nos lucros da empresa.
8 – Restituição do pagamento de biênio em percentuais de reajuste que diferenciam o salário dos novatos para os mais experientes que o Diário do Pará já pagou para seus funcionários, como política de incentivo.
9 – Participação dos funcionários na implantação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) que será implantado no grupo RBA.
10 – Igualar as remunerações de quem trabalha no interior do Estado com quem trabalha em Belém.

11 – Equipamentos de segurança para todos os jornalistas que fazem cobertura policial, incluindo os que cobrem somente em escalas.

DIÁRIO – Camilo Centeno tenta desqualificar greve

CAMILO-CENTENO

“A greve tem motivações políticas. Estão interessados em nos enfraquecer por enxergarem a ligação com o senador Jader Barbalho.” A declaração, feita ao portal Comunique-se, é de Camilo Centeno (foto), diretor-geral do grupo RBA, a Rede Brasil Amazônia de Comunicação, da família do senador Jader Barbalho, o morubixaba do PMDB no Pará. Com ela, Centeno, que é sobrinho e ex-cunhado do manda-chuva peemedebista e identificado como o falcão do grupo, por sua prepotente intransigência, tenta claramente desqualificar a paralisação dos jornalistas do Diário do Pará e do DOL, o Diário Online, um dos principais portais do Estado. Os jornalistas reivindicam melhores salários e condições de trabalho.

Além da remuneração aviltante, traduzida em um salário inicial que não ultrapassa R$ 1 mil brutos, um dos mais baixos do Pará, a grande maioria dos jornalistas do grupo RBA amarga, dentre outras mazelas, horas extras nunca pagas, cadeiras e computadores sucateados e em quantidade insuficiente, falta até mesmo de água potável na copa e de papel higiênico nos banheiros. Diante das reivindicações de um piso salarial de R$ 1.908,25, estabilidade de um ano para todos os grevistas e a readmissão do jornalista Leonardo Fernandes, demitido em retaliação a mobilização pela paralisação, os Barbalho, em sua contraproposta, acenaram com um piso salarial de R$ 1.300,00 e estabilidade de seis meses para os grevistas. Rejeitaram peremptoriamente, porém, a readmissão de Leonardo Fernandes. Com o impasse, a greve, deflagrada nesta última sexta-feira, 20, prossegue por tempo indeterminado e já se refletiu na edição do Diário do Pará deste sábado, 21, repleta de notícias das agências, mas cujo noticiário local é parco. Igualmente parco é o noticiário local no Diário Online, desde esta última sexta-feira.
Em suas declarações ao Comunique-se, além de tentar desqualificar a greve, Centeno alegou, para justificar os salários aviltantes pagos pelos Barbalho, o cenário de crise pelo qual passam vários segmentos da economia brasileira, e supostamente, em particular, os meios de comunicação. O grupo de comunicação da família do senador Jader Barbalho inclui o jornal Diário do Pará, líder em vendagem, segundo o respeitável IVC, o Instituto Verificador de Circulação; o Diário Online, um dos principais portais do Estado; a RBA TV, afiliada da Rede Bandeirantes; e rádios AM e FM, líderes de audiência. O Diário do Pará trombeteia ser recordista em novos leitores.
A despeito da hostilidade de suas declarações e do tratamento truculento dispensado aos grevistas, como ilustra a demissão de Leonardo Fernandes, um jovem profissional reconhecidamente competente, Centeno afirma que a empresa está aberta a negociações. Mas ele se trai com a ressalva que soa hilária, diante da prosperidade do Diário do Pará. “Espero que profissionais reflitam e reconheçam que não podemos firmar compromissos que comprometem nossa saúde financeira”, diz. O Diário do Pará prosperou e superou em vendagem seu concorrente direto, O Liberal– do grupo de comunicação da família Maiorana, inimiga figadal do senador Jader Barbalho -, depois que o fundador do jornal, Laércio Barbalho, o patriarca dos Barbalho, já falecido, cedeu lugar ao neto Jader Filho. Este é o primogênito dos filhos de Jader Barbalho com a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB/PA), da qual o senador divorciou-se, para casar-se com uma sobrinha, Márcia Centeno, filha de uma irmã da parlamentar peemedebista e irmã de Camilo Centeno. O casamento com Márcia Centeno naufragou na esteira do romance de Jader Barbalho com a deputada estadual Simone Morgado, do PMDB, hoje uma espécie de primeira-dama do partido, notabilizada pela postura imperial. Nem o traumático desfecho do casamento da irmã fez Centeno abdicar da condição de áulico, intransigente e em tempo integral, do senador Jader Barbalho.
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