Agricultores do Acará acusam grupo paramilitar de tortura e ameaças de morte, a mando da BBF. (fofo: reprodução/Ver-o-fato)

A empresa BBF (Brasil Bio Fuels Reflorestamento), sucessora da Biopalma na exploração de óleo de dendê, está sendo acusada de contratar um grupo paramilitar de fora do estado para intimidar, ameaçar de morte e torturar os moradores da comunidade Vale do Bucaia, no município do Acará, na Região do Baixo Tocantins, nordeste do Pará.

Um vídeo foi gravado por um dos líderes da comunidade, durante uma reunião dos agricultores, pedindo proteção às autoridades paraenses por estarem sofrendo ameaças de morte dos milicianos. Os moradores da área estão lutando na justiça contra a empresa produtora de dendê, que quer expulsá-los da terra onde moram para se apropriar delas.

De acordo com o líder comunitário, Marcos Nunes Pinto, ao amanhecer do dia 1° de outubro último, um grupo paramilitar, fortemente armado, da empresa BBF, chegou atirando contra mais de 20 agricultores que estavam no local, trabalhando. Os trabalhadores foram empurrados, amarrados e agredidos, inclusive com spray de pimenta.

Segundo o líder, os agricultores foram mantidos amarrados no chão pelos milicianos por cerca de cinco horas, quando foram libertados pela Polícia Militar. Durante esse tempo, os trabalhadores foram imobilizados com armas pesadas apontadas para a cabeça deles, enquanto recebiam agressões físicas e ameaças de morte extensivas às famílias deles.

Conforme a liderança, os milicianos estavam vestidos com roupas similares às de polícia e afirmavam que a polícia do Pará não valia nada, e que eles eram de Roraima e estavam alo para matar o líder. Toda a ação dos milicianos foi filmada por drone. No dia seguinte à ação, os milicianos foram vistos comemorando a “vitória” em um local de Tomé-Açu, onde fica a sede da empresa.

Outra denúncia é de que mais de 30 comunidades ribeirinhas da região vêm sofrendo há mais de 10 anos, desde que a Biopalma demonstrou interesse pela Fazenda Bucaia, se dizendo proprietária da área, apresentando documentos falsos. Ocorre quer as famílias são remanescentes da área, onde vivem há várias décadas. O imbróglio envolve grilo, documentação falsa, cartório suspeito, e, agora, intimidação, tortura e ameaça de morte.

Antes de ser vendida para a BBF, em agosto deste ano, a Biopalma foi acusada de contaminar os rios da região, fechar estradas de acesso dos agricultores e não permitir a passagem da rede elétrica, numa verdadeira ação de guerra para isolar nas piores condições possíveis os moradores e ribeirinhos.

O caso será objeto de denúncia internacional por violação de direitos humanos. Com a palavra, a BBF.


(informações Ver-o-Fato)

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