Sua posição é opressora ou oprimida? Por Mizael Carvalho

Desde a colonização do Brasil, passando pelas muitas guerras mundiais entre países, o duelo opressor x oprimido sempre existira. Embora, em outrora época, o direito de escolha fosse negado, tornando-se obrigatoriamente parte dos oprimidos, a capacidade crítica desenvolvida ao longo dos anos possibilitou o benefício dessa opção, mas que dependerá do altruísmo característico de cada pessoa. Aqueles que não possuem concepções éticas e morais de preferências tornam-se opressores, mesmo fazendo parte dos oprimidos.

O cenário de conflitos corrobora com a construção relacional histórica das civilizações, dos costumes, das culturas e do comportamento pessoal. Nesse contexto, existem lados opostos subjugadores que recrutam, incessantemente, os lúcidos, os despossuídos e em dúvidas sobre que direção seguir, apresentando-lhes razões plausíveis de convergência e conveniência para qual posição defender.

O opressor é um defensor das “massas”, daquilo que é “justo” para todos e, sobretudo, discursa em favor da maioria e da melhoria, mas pratica o massacre coletivo em prol de interesses pessoais e benefícios próprios, num egoísmo perverso, hipócrita e dissimulado. Já o oprimido é aquele que se defende das agressões impetradas pelo ser opressivo, “ingênuo”, porém relutante às atitudes mandatárias dos proponentes de insultos. Ambos passam por um dilema interno antes de “aceitar” o caminho pretenso, cabendo-lhes arcar com as consequências de suas ações após a decisão tomada, omitindo-se ou posicionando-se.

Mesmo evoluindo intelectualmente, no decorrer das diversas fases sócio-histórico culturais da sociedade, ainda é perceptível o desprezo e imaturidade de reconhecer-se enquanto pessoas com direito subjetivo de escolha entre ser o explorador ou o explorado, usufruindo da criticidade que os capacita à opção de menor insanidade, benefício que não seria possível há algumas centenas de anos. Parece que a autenticidade conquistada a alto custo por antepassados corajosos, cedeu espaço ao comodismo momentâneo e imediatista, onde a decisão por um dos lados é feita “por exclusão”, prevalecendo o lema “benefício terei, opressor serei”. No entanto, o opressor fará parte dos oprimidos em algum momento, querendo ou não. Mas o oprimido só será opressor por escolha; por falta de lucidez ao que defende; por conveniência. Pois, todos fazem parte de um coletivo maior, que o individual não deve subscrever.

Concernente a isso, a capacidade de distinção entre uma postura oprimida e um comportamento opressor, demonstra o amadurecimento ético e moral de cada ser sociável diante das relações de poder existentes no meio em que vivem. Exprimindo, portanto, condutas contemporâneas sobre a usabilidade do direito de escolher o lado mais adequado ao que é justo para o coletivo. Desprezando e dispensando posição maleável de domínio, que só fortalece a classe opressora e enfraquece a categoria oprimida, sendo todos pertencentes e retornáveis à segunda, mas opcionalmente executores da primeira.

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