Policiais militares foram até uma das garagens neste sábado (21) tentar negociar a saída dos ônibus. Imagens cedidas pelo Setransbel mostram viaturas saindo de garagem no Guamá

Rodoviários mantêm neste sábado (21) a greve geral em Belém, Ananindeua e Marituba, na região metropolitana, deixando a população pelo terceiro dia sem ônibus. Uma decisão na última sexta-feira (20) do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que a paralisação é abusiva e que a frota voltasse a circular, mas segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Setransbel), várias empresas estão com as garagens bloqueadas pelos grevistas.

Na manhã deste sábado (21), viaturas da Polícia Militar (PM) foram até a empresa Guamá e Guajará tentar negociar a saída dos ônibus. Segundo o Comando de Policiamento da Capital (CPC), as viaturas entraram e os militares tentaram a negociação, mas sem sucesso. Em seguida, a PM deixou o local, mas orientou ao dono da empresa de ônibus que, por intermédio do setor jurídico, solicitasse à Justiça do Trabalho o apoio policial que garantisse à saída de ônibus.

A greve começou na madrugada de quinta-feira (19). Cerca de um milhão de usuários são afetados diariamente. A categoria reivindica 10% de reajuste salarial, R$ 700 em ticket alimentação e redução da carga horária de trabalho para seis horas diárias.

Na tarde de sexta-feira (20), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu que a paralisação dos ônibus do transporte urbano em Belém, Ananindeua e Marituba é abusiva e determinou que a frota voltasse a circular às 16h do mesmo dia, o que não foi cumprido. Ainda segundo o TRT, os dias parados de greve não serão pagos e o Sindicato dos Rodoviários com multa no valor de R$ 10 mil por dia.

Greve

A greve iniciou apesar da decisão da desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Francisca Oliveira Formigosa, que determinava a obrigatoriedade de funcionamento de 80% da frota.

Os rodoviários pedem 10% de reajuste salarial, R$ 700 em ticket alimentação e redução da carga horária de trabalho para seis horas diárias. “O aumento de tarifa foi quase 16% e eles não repassaram isso em momento algum renovando frota. Os ônibus são sucateados”, disse o rodoviário Vitor Modesto.

Além disso, os trabalhadores denunciam a falta de segurança nos coletivos. “A desembargadora tem que escutar os trabalhadores e saber o que os trabalhadores estão passando no dia a dia, os assaltos que tem todos os dias nos transporte. A segurança tem que partir dos empresários, eles não dão segurança. Quando o usuário é assaltado, o motorista, o cobrador, por que a empresa não devolve o valor subtraído? Queremos aumento real e a volta da nossa jornada de trabalho”, afirma Everton Paixão, vice-presidente do sindicato dos rodoviários.

“Estamos querendo a redução da nossa jornada de trabalho. Hoje a jornada de trabalho é de 8h com uma ou duas horas de intervalo, sendo que não está sendo obedecida pelos empresários. Hoje não tem intervalo para os trabalhadores. Estamos querendo a volta da nossa jornada de 6h com uma hora de intervalo fracionada entre as viagens”, afirma Everton.

Reivindicação é ilegal, diz Setranbel

“O principal motivo para a greve é que eles querem retornar à jornada antiga de trabalho, que é ilegal. Foi reformada pelo Tribunal Regional do Trabalho em tendência normativa, ou seja, por força de lei. Essa jornada antiga era alvo de várias ações trabalhistas por parte dos próprios trabalhadores quando saíam do sistema. Sem contar, que na última reunião, a gente garantiu as perdas salariais dos rodoviários, oferecendo a reposição do índice inflacionário dos últimos 12 meses para salário, ticket e clínica”, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém

 

 

Fonte: G1

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