Precisa apenas dialogar… Por Mizael Carvalho

É certo que existem várias formas de solução de conflitos, que não necessariamente seja a judicial e que tragam prejuízos e desconfortos a todos os envolvidos nesse processo. No entanto, a jurisdição ainda é o meio mais buscado por prefeitos e gestores públicos para resolver “confusões” na qual as partes não conseguem solucionar de forma independente. A demora nas negociações e entendimentos acaba prolongando e acarretando discussões infindáveis entre os partícipes e desejantes pelo fim do empasse.

Ao lado da própria opção pelo judiciário, adequados para diversos casos, a negociação, a arbitragem, a conciliação e a mediação são métodos menos praticados, porém tradicionalmente designados como meios de resolução alternativa de disputas, que colocariam um ponto final no desgaste entre partes que discordam sobre um ponto de vista e posicionam-se condizentes com suas visões unilaterais dos fatos. O longo e derradeiro período que passam em desacordo corrobora com o envolvimento de muitas outras opiniões inerentes ao fato que, mesmo sem conhecer o que ocorrera, emitem juízos de valor contribuintes a embates prejudiciais e desconfortáveis no desenrolar do caso, suscitando condutas e posturas inadequadas até mesmo às mentes mais sãs deste entorno.

Mas, parece proposital – mesmo com todas essas opções – a escolha pelos processos judiciais, pois se entende que o tempo poderá ser aliado (no caso do requerendo) e inimigo (no caso do requerido) para fins de protelação e provável usurpação dos direitos previstos nos regimentos jurídicos, sem condições de conquista numa das maneiras expostas acima, seja por falta de justificativas, seja por inescrupulosidade pessoal. No entanto, prefeitos e gestores públicos que usam dessa “ferramenta” acabam gerando conflitos menores entre aqueles envolvidos direta e indiretamente no fato discordante, incentivando discussões, embates e brigas em meios aos desinformados ou informados parcialmente, que procuram culpados na tentativa de ajudar a resolver o problema. Sem sucesso, essas pessoas usam de ofensas e ataques – por diversos meios comunicativos – incitando a violência, desprivilegiando e desvalorizando seguimentos congregantes à profissionais de suma importância para a sociedade que, por vezes, nada ou muito tem a ver com a ocorrência.

Além disso, usar protelações na resolução de um conflito ou problema gera um desequilíbrio em todos os setores de um ambiente (instituição, cidade, estado, região e país), pois o diálogo é a característica do ser falante, logo, é esperado que as pessoas discutam, debatam e sugestionem soluções para o empasse. Entretanto, a coerência num debate ideológico deve prevalecer, considerando que não há dois pesos e duas medidas; Não existe o “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Os exemplos são experiências geradoras de condutas, boas ou ruins, mas devem ser usados como referências para acometimentos de ações enquanto ser social. Divergente a isso, constata-se o discurso que visa a alienação das pessoas para aquilo que desejam que acreditem. E quem não tem criticidade para opinar, acompanha a maioria ou aqueles que possuem as melhores maneiras de persuadir, colaborando na geração de mais conflitos.

Assim, não se pode recorrer à jurisdição antes de usar outras formas de diálogo, visto ser menos contributiva na geração de novos conflitos. Em pleno século da inversão de valores, pequenas discussões geram enormes possibilidades de desentendimentos entre pessoas e, colaborar com isso, incentiva a intolerância aos que não somente discordam, mas atacam seu ponto de vista. Dialogar é o caminho mais curto e inferiormente penoso para resolver conflitos, principalmente, os que envolvam opiniões diversificadas e mobilizadas por meios informativos diversos, onde cada um retrata o fato de sua maneira, ou convenientemente. Processos dialógicos conduzem à posturas dialógicas. Para que as negociações, o entendimento e a solução aconteçam, precisa apenas dialogar.

 

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