No dia da posse do novo presidente do país, fervorosos são os anseios pelo cumprimento – ou não – do que fora proposto em campanha eleitoral. De um lado, aqueles que o apoiaram e esperam a mudança acontecer; Por outro, os que torcem para que não seja uma roupagem da época sensuralista, reprimista e opressiva vivenciada no Brasil, durante governos de igual postura discursiva.

Encerra-se um ano de profunda mudança no comportamento da população brasileira, devido muito ao cenário político, onde os atos de corrupção eclodiram aos olhos da nação, mesmo daqueles desalertados e analfabetos politicamente. O desalento, vivenciado por tanto tempo, deu lugar ao alento coletivo em decorrência da transformação social e econômica possibilitada pelo movimento em massa das tecnologias de informação e comunicação, em que as notícias chegam instantaneamente ao conhecimento de todos, através de aplicativos e redes sociais que dinamizaram a interação da sociedade, especialmente nessa eleição.

De um lado, parcela da população cansada da atual conjuntura do Estado – que valoriza, protege e reconhece a abrangência social como meio norteador para alcance da igualdade entre os diferentes hábitos, preferências e cultos religiosos no país da diversidade -, pretensos ao aceite de um cenário adverso, com mais severidade e seleridade nas ações de justiça e injustiça evidentes e em ascensão nos últimos anos, decorrentes da fragilidade das instituições estatais e que, se rigorosa fosse, representaria o equilíbrio equacional sobre diversos problemas emergentes: violência, descaso com educação, saúde, segurança, qualidade de vida, dentre outros. Estes estão esperançosos por repentina mutação, apoiadores do novo governo, desejantes pelo ano vindouro, ansiosos pelo começo – ou recomeço.

Na oposição – sempre terá -, concentram-se os demais, crentes e verossímeis do que aparenta ser uma era desastrosa para o país, demonstram apreensão pela iminente propensão ao poder de um presidente [de inocuosidade suspeita], mais do que nunca vigilantes e alertas, motivados pelas promessas eleitoreiras que distorcem o caminho alcançado até então: igualdade de classe. Além disso, parte destas pessoas passou a acompanhar mais a composição estrutural de um governo democraticamente constituído, que notoriamente comprovam suas inquietações a cada nomeação de ministérios e cargos importantes antes da posse, tornando-as reais e que será, inevitavelmente, concretizada a prazo curto.

Nesta realidade próxima, pois, aos lados caberá, tão simplesmente, a união de pensamentos, posturas, desejos, atitudes, que consensualmente aponte para um horizonte convergente aos primeiros e divergente aos segundos, uma vez que ambos representam uma mesma nação, fortificada por processos históricos nem sempre harmoniosos, mas sobreviventes à momentos derradeiros, afortunados por sua própria construção sociocultural, merecedor de seu povo e escravo da diversidade de pensamentos.

Nessa sintonia, somente assim, serão quatro anos de vigilância pelo impróprio, e usufruto das benesses resultantes das contraversões do esperado. Afinal, é preciso a convivência, mesmo na divergência. Não há outro caminho!

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