AVANTE, COMPANHEIRADA! Por Mizael Carvalho (foto: divulgação)

A educação brasileira passa por profundos debates ideológicos nos últimos anos. Analistas políticos, especialistas e até leigos no assunto opinam e dão “pitacos” nos acontecimentos decorrentes da desvalorização do seguimento mais importante de uma sociedade, bem como, daqueles que a fazem no chão das instituições escolares, acarretando em atos de protestos e greves como forma de resistência ao massacre propositalmente instaurado para justificar o pífio investimento, retirada de direitos e sucateamento do sistema de ensino, principalmente na educação básica.

Os brasileiros “dialogam” sobre o sistema nacional de educação, comungando a ideologia passiva de que não há possibilidades de mudança social sem dedicar-se aos estudos. Discutem, analisam, sugestionam, ponderam sobre a qualidade necessária para que a educação seja uma ferramenta de inclusão e diversificação para apropria-se do conhecimento oferecido numa sala de aula, cumprindo o ritual de aprendizagem diante do profissional capacitado para exercer a função. Entretanto, os debates aforados parecem divergir quando alcançam patamares valorativos dos entes envolvidos nesse processo de ensinar e aprender, seja em termos humanos ou estruturais, físicos e psíquicos.

São muitas as opiniões acerca do fazer docente, pedagógico e administrativo nos ambientes educacionais, principalmente no que tange a educação básica, onde as políticas de investimentos – não somente as públicas – deveriam ser prioridade e ponto de partida para se alcançar a qualidade almejada por estados e municípios. Comparativos e referências a outros países, que investiram e investem em educação para alcançar status de nação desenvolvida, remontam perspectivas renovadoras de atuação eficiente nas demandas requeridas nesta área. No entanto, o que se constata é a fantasia ideológica de alcance de objetivos e metas traçadas em planos, projetos e promessas de governantes no cumprimento de leis que resguarde o direito subjetivo de aprender e ensinar, não somente qualitativamente, mas também dignamente.

Ninguém, além daqueles que frequentam anualmente o chão da escola, poderá emitir opiniões concretas sobre a situação pela qual passam os frequentadores da escolarização pública – muitas em condições de insalubridade, impróprias para o desenvolvimento de habilidades e competências inerentes ao processo educacional -, visto serem testemunhas oculares dos anseios gritantes e urgentes, diária e continuamente, requeridos por seus componentes mais fiéis, que saem em luta para exigir o cumprimento do que já fora estipulado nas leis, garantindo subsídios e condições mínimas de ensinar e aprender com qualidade, valorizando àqueles que, de fato, contribuem na construção social, cultural e humana de um país. A ausência disso, bem como, dos investimentos necessários nessa área corrobora, além da precariedade de cidadãos responsáveis e que tomem decisões acertadas na sociedade, com os constantes e lamentáveis episódios de atos e greves país a fora, pois nenhum povo aceitará passivamente tornar-se massa de manobra de classes dominantes, sendo apenas dominado.

A conjuntura apresentada, nas últimas décadas, requer do povo brasileiro um ato de coragem que rompa com as amarras opressoras deste sistema, implantado propositalmente no âmbito educacional, com investimentos insignificantes num seguimento estratégico para o estado de sobriedade dos que almejam sair da condição passiva e contribuir criticamente no desenvolvimento do país. Os atos coletivos e as greves de servidores da educação em diversos estados e municípios, que recente e frequentemente vêm acontecendo, pode ser uma amostra do levante atitudinal de cidadãos e cidadãs saturados das “justificativas” de crise nacional, sendo perceptível o uso do dinheiro público para bancar interesses particulares, com discurso demagogicamente infundados e infindáveis. Avante, companheirada!

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