O policial militar Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, um dos dois homens presos pela morte do homem negro espancado na noite desta quinta-feira, 19, em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, não tinha o registro para atuar como segurança, informou a Polícia Federal.

Segundo a PF, que emite o documento, é necessário ter a carteira nacional do vigilante para fazer “a abordagem ativa de contenção”. Além disso, de acordo com o coronel Rodrigo Mohr Picon, comandante-geral da Brigada Militar, Giovane “não poderia tirar registro de segurança”. “Por lei, é vedado o exercício de qualquer outra atividade remunerada”, afirmou ao G1 o comandante.

Segundo Picon, Giovani era PM temporário.

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado e morto por dois homens brancos na véspera do Dia da Consciência Negra. Ele fazia compras com a esposa quando teria feito um gesto para uma fiscal de caixa. Ela chamou a segurança, que levou João Alberto para o estacionamento do supermercado, onde ocorreram as agressões.

Os autores do crime foram presos em flagrante na noite de quinta.

Além do PM, o outro detido é o segurança Magno Braz Borges, de 30 anos. Ele tem a carteira nacional do vigilante, mas não consta no banco de dados com vínculo à empresa que prestava serviço ao supermercado e terá o registro suspenso, de acordo com a PF.

O advogado William Vacari Freitas, que defende Magno, disse ao G1: “Vamos aguardar o resultado das perícias e das demais investigações”. Já o advogado David Leal, que assumiu a defesa de Giovane, afirma que seu cliente relatou que João Alberto “estava alterado” e “deu um encontrão em uma senhora” no supermercado. Segundo o relato do PM, João Alberto desferiu um soco contra Giovane.

O advogado afirmou ainda que o policial reconhece que houve excesso. “Ele chegou em algum momento a me relatar que pode ter havido um excesso”, diz David Leal.

Em depoimento, Magno e Giovane permaneceram em silêncio. Magno e Giovane são funcionários da Vector Segurança. A empresa informou, por meio de nota, que se solidariza com a família da vítima e que não tolera nenhum tipo de violência.

“Todos seus colaboradores recebem treinamento adequado inerente as suas atividades, especialmente quanto à prática do respeito às diversidades, dignidade humana, garantias legais, liberdade de pensamento, ideologia política, bem como à diversidade racial e étnica”, diz o comunicado (leia a íntegra ao fim desta reportagem).

A PF ainda confirma que a empresa de segurança responsável pelo supermercado tem cadastro regular e foi fiscalizada em agosto deste ano.

Fonte: G1

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