(Foto: reprodução)
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Com um novo ambiente de negócios favorável, o Pará tem despertado cada vez mais a atenção de grandes empresas pelo forte potencial econômico. Só nesta semana, duas comitivas, uma da Austrália e outra de Portugal, foram recebidas por representantes do governo estadual para conhecer as potencialidades locais. E, ao longo do ano, países como Índia, China, Martinica e Qatar também estreitaram laços com o Estado, demonstrando interesse em investir e replicar experiências positivas no Pará. “Estamos sendo redescobertos”, avalia o titular Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção (Sedip), David Leal.

Além do esforço feito pelo governo, que criou de um setor específico para a atração de negócios dentro da pasta de Indústria, Comércio e Mineração, para David Leal, outros fatores inerentes ao Estado – como a posição logística privilegiada para a exportação e importação e o clima e a terra favoráveis para o desenvolvimento da mineração e da agroindústria – fazem com que, hoje, o Pará esteja na mira das grandes multinacionais brasileiras e de grandes empresas de outras partes do mundo. “Além de tudo isso, com a reabertura do Canal do Panamá, em 2015, o Pará deve se tornar ainda mais competitivo”, projeta.

Para a secretária de Indústria, Comércio e Mineração, Maria Amélia Enriquez, que acompanhou as missões internacionais esta semana, o interesse das empresas se dá por dois motivos: o momento de depressão da econômia nacional e internacional e a política local, que inspira credibilidade aos investidores. Para ela, o Pará caminha na contramão do desempenho do país. “O nosso crescimento é acima da média da região e acima da nacional. Para nós, isso demonstra os passos acertados do governo no sentido de criar um ambiente de negócios favorável, e o resultado é o interesse das empresas”, avalia.

Durante o encontro da comitiva australiana com representantes do governo, na última terça-feira, 15, no Centro Integrado de Governo (CIG), Robert Trzebski, enviado pela Austmine, entidade público-privada que representa 250 empresas que prestam serviços para mineradoras na Austrália, concordou com a avaliação da secretária. Na ocasião, Robert afirmou que é preciso considerar que o Brasil não é apenas o eixo Sul e Sudeste para investimentos, e que é preciso olhar além. Para ele, os investidores consideram os estados que estão em crescimento, como é o caso do Pará, que desponta na região Norte.

Investimentos

Na prática, o apoio dado pelo governo vem dando resultados. No início do ano, a fabricante paulista de correias transportadoras, a “Correias Mercúrio”, anunciou ao governador Simão Jatene que a empresa investiria algo em torno de R$ 100 milhões na abertura de uma nova fábrica da companhia em Marabá, no sudeste paraense. Logo depois, a Sinobrás, instalada há oito anos região, também informou que vai duplicar a capacidade de produção, e que a primeira parte desse investimento prevê aporte da ordem de US$ 200 milhões. No total, as duas empresas, juntas, pretendem investir o equivalente a R$ 600 milhões no Estado.

Entre 2015 e 2020, a expectativa é que R$ 160 bilhões sejam investidos no Pará. O volume de recursos é apontado em um estudo da Redes/ Fiepa. Segundo a pesquisa, Carajás continua sendo a região com maior volume de investimentos, respondendo por mais da metade do volume previsto (54%). O Tapajós, com grande potencial energético (o complexo previsto compreende cerca de cinco hidrelétricas) deverá resultar em investimentos na ordem de R$ 30 bilhões. No Xingu, somente Belo Monte representa R$ 30 bilhões. Já na Grande Belém e no nordeste paraense, os investimentos previstos correspondem a cerca de 5% dos R$ 160 bi.

Diante desse cenário, o desafio do governo é agregar valor à produção local. Para David Leal, além verticalizar a produção, outros dois pilares são fundamentais: o aquecimento do mercado local e a internalizarão da riqueza, e atração de fornecedores estratégicos para diversificar a pauta de exportação. “O Pará é um grande exportador de matéria-prima, mas ao longo do tempo, por vários fatores (entre eles a desoneração imposta pela Lei Kandir), não conseguiu agregar valor a isso. Mais de 30% da nossa população vivem abaixo da linha pobreza. E nós só vamos, efetivamente, melhorar esse índice agregando valor”, frisa.

 

Via ORM News

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