Destino de R$ 2,7 milhões do total de quase R$ 4 milhões é desconhecido.

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O ex-prefeito de Ananindeua, Helder Zaluth Barbalho (Foto: Diário Online)

Em um grande terreno localizado no bairro do Paar, um dos mais pobres do município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RBM), pode ser observado o esqueleto de um ‘elefante branco'. Foi ali que o ex-prefeito de Ananindeua, o peemedebista Helder Barbalho, começou, mas não terminou a construção de um estádio de futebol, mesmo com o Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, localizado a poucos quilômetros dali. E até hoje, quem vive na rua Cajuí, no Paar, onde o projeto foi iniciado, sofre as consequências do abandono da obra, cuja construção era responsabilidade da Delta Construções, a mesma empresa comandada pelo empresário Fernando Cavendish e que ficou famosa pelo envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O escândalo provocou cassação do senador Demóstenes Torres, que foi investigado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado.

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Junho de 2013 (Foto: Marco Santos)
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Arquibancadas. Foto: Facebook Elcione Barbalho. Fevereiro/2013

Na gestão do peemedebista, a Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura de Ananindeua firmou contrato com a Delta Construções, no valor de R$ 23,4 milhões. Desses, R$ 19,4 milhões foram anulados e R$ 1,29 milhão repassado à empresa. Os dados chegaram à CPI depois que o presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encaminhou pedido de informações aos Tribunais de Contas do Estado (TCE) e dos Municípios (TCM), sobre relatórios de auditorias e demais procedimentos instaurados envolvendo as empresas de Cachoeira.

O curioso é que nem os tribunais obtiveram informações sobre o paradeiro dos R$ 2,7 milhões restantes, uma vez que não consta nas informações encaminhadas à Comissão Parlamentar de Inquérito a anulação do empenho neste valor, o que leva a crer que esse montante deve ter sido pago à construtora. Somente a prestação de contas poderá esclarecer o mistério, uma vez que, na condição de postulante a candidato às próximas eleições, o ex-prefeito de Ananindeua precisará estar com as contas em dia junto aos tribunais. Tudo indica, contudo, que o dinheiro, totalizando cerca de R$ 4 milhões, foi gasto sem que as obras do estádio fossem concluídas. O que restou foi uma parte da arquibancada inacabada, rodeada de mato, em um terreno onde também se encontram caminhões e tratores abandonados, todos com peças roubadas. Um dos caminhões, aliás, foi incendiado por bandidos na última semana. O local onde o ‘estádio fantasma' de Helder foi construído é conhecido como ‘Rua da Morte', por estar em uma ‘área vermelha', onde os moradores constantemente correm risco de violência.

Moradores do Paar preferem gastos em educação, saúde e segurança pública

Na opinião dos moradores, a prefeitura jogou dinheiro pelo ralo na construção de um estádio de futebol inacabado, em Ananindeua. ‘Claro que foi desperdício de dinheiro para o bolso da gente, porque… olha como se encontra isso aí… Não era nem para ser estádio, porque vai se tornar um ‘elefante branco'. Era para fazer uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), escola ou casas populares para tirar esse povo da baixada. Para nós, era mais negócio se tivesse um hospital, porque estádio não vai ter serventia nenhuma para quem mora aqui', declarou Eloizio de Almeida Moraes, motorista, 50 anos.

O morador Lucas Hernandes, estudante de 15 anos, partilha da mesma opinião. ‘Mais útil seria fazer um posto de saúde do que um estádio, porque tem tanta gente precisando. Foi um desperdício de dinheiro, muito dinheiro, que poderia também ter ido para as crianças, para fazer creche', enfatizou.

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O que seria o estádio municipal de Ananindeua

Moradora da área, a manicure Alessandra Cardoso também não concorda com o projeto do ex-prefeito, que nem chegou a ser concluído. ‘A gente precisa mais de um posto de saúde, uma praça, uma escola. Eu acho que foi um mau investimento', declarou, acrescentando que muitos marginais utilizam o terreno onde seria construído o estádio municipal, deixado por Helder Barbalho pela metade, para usar drogas ou fazer sexo, de acordo com alguns moradores.

A atual administração de Ananindeua tentou realocar os recursos destinados à construção do estádio municipal para outros projetos, que melhor atenderiam às necessidades da população, como a construção de um centro de saúde ou escola, mas a Caixa Econômica Federal informou que não seria possível realocar os recursos. Agora, a Prefeitura de Ananindeua será obrigada a gastar mais dinheiro público – além daquele que foi jogado pelo ralo na gestão peemedebista – para concluir o estádio. Caso contrário, terá que devolver o montante que já foi gasto nas obras.

“Nós ficamos entre a cruz e a espada. Se nós não terminarmos o empreendimento, teremos que devolver os recursos que foram empregados para a Caixa”, explicou o procurador geral do município de Ananindeua, Sebastião Godinho

Ele ressalta, ainda, que por quanto mais tempo a obra ficar parada, mais aumenta a contrapartida do município. “Temos (dinheiro para a obra). Sempre tem. O (Manoel) Pioneiro é extremamente econômico com recursos públicos. Não vou dizer que tem dinheiro sobrando porque não tem sobrando em nenhuma área. Mas, diante dessa situação, vamos ter que fazer”, observou.

De acordo com o procurador geral de Ananindeua, a prefeitura está fazendo uma análise para descobrir se o que já foi feito bate com as medições que foram pagas.

“Temos que primeiro conhecer a situação do que está lá. Depois, nós vamos ver se podemos realinhar, readequar o projeto. Essas questões técnicas, nós vamos analisar após termos o diagnóstico completo do que está lá e, pelo tempo que a obra está parada, é possível que as coisas tenham que ser refeitas”, disse. Outra questão preocupa a atual administração de Ananindeua: “O estádio está sendo construído num local que precisa de acesso, o que não tem. Vai ser um custo maior”, concluiu.

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Fonte: O Liberal

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