Foto: Jimmy Geber/GDC

Parentes da jovem de 16 anos que foi violentada pelo médico ginecologista e obstetra Armando Andrade Araújo compareceram à Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), em Manaus, na tarde desta quarta-feira (20), para abrir um processo contra o profissional da saúde. O homem responderá por vias de fato e injúria, de acordo com Débora Mafra, delegada titular da Especializada.

O caso ocorreu há nove meses. Segundo informou a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), a família da vítima não havia denunciado o caso à Ouvidoria, à época. Questionada do porquê, a responsável pela adolescente alegou que ficou com medo de sofrer represálias do agressor. “Ele tem dinheiro, é poderoso, por isso que ‘pinta e borda’”, disse.

A responsável pela vítima afirmou, ainda, que “como tudo veio à tona”, ela pretende recorrer à Justiça. “Não é fácil estarmos vivendo tudo isso. Estou com dez dias de operada”, falou a mulher.

O vídeo do parto viralizou nas redes sociais e a responsável pela adolescente comentou que viu comentários de pessoas relatando que também sofreram agressões do médico ginecologista e obstetra. Ela comentou, ainda, que a filha dela ficou abalada após a exposição causada pelo vídeo nas redes sociais. “Mas, tanto ela quanto o bebê estão bem”, contou.

De acordo com a delegada Débora Mafra, cinco Boletins de Ocorrência (B.O) foram registrados no nome de Armando Andrade Araújo. Sem entrar em detalhes sobre os documentos, a delegada comentou que alguns deles envolviam agressões por tapas, semelhantes ao caso da jovem de 16 anos.

A autoridade policial deu detalhes a respeito dos crimes pelos quais Araújo responderá. “Não deu lesão corporal porque foi um tapa só, desferido pelo médico, e eu perguntei se ficou roxo ou não”, disse Mafra.

OAB toma providências

A Ordem dos Advogados do Brasil seccional Amazonas (OAB-AM), por meio da Comissão de Direitos Humanos (CDH), encaminhou um pedido de providências referente à apuração dos fatos que aparecem no vídeo do parto, na tarde desta quarta-feira (20), ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao Ministério Público do Estado (MPE-AM).

No documento, assinado pelo presidente da OAB-AM, Marco Aurélio Choy, e pelo presidente da CDH, Epitácio da Silva Almeida, a instituição informa que, apesar do caso ter ocorrido há nove meses, tomou conhecimento nesta terça-feira (19), e classificou o episódio como uma “flagrante violação dos Direitos Humanos”, nos artigos 23 e 27 do Código de Ética do Conselho Federal de Medicina (CFM), que trata da ausência de civilidade e desconsideração com a dignidade humana. Choy destacou também que o caso configura uma clara violência obstetrícia.

Com informações D24AM

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