Após a violência, o jogador Kaique Ramos precisou ser acalmado para continuar a partida ( Foto: Reprodução )

Um caso de racismo marcou uma partida de futebol de várzea disputada no domingo (1º), no Povoado Cachimbo, área quilombola da zona rural de Posse, no nordeste de Goiás. O jovem Kaique Ramos, de 20 anos, foi insultado por um adversário com ofensas raciais, entre elas a expressão “negro rajado”.

O episódio começou quando Kaique pediu licença para cobrar um arremesso lateral. Segundo o relato, o autor das ofensas respondeu que não daria a licença e ainda o chamou de forma racista.

Atleta ficou abalado

Kaique contou à TV Anhanguera que parou no meio do campo e chorou muito. Ele afirma que o mesmo homem já tinha se dirigido a familiares dele antes, e que a família decidiu relevar. Desta vez, porém, ele não aceitou. Segundo o jovem, as ofensas o atingiram a ponto de impedi-lo de seguir jogando. “Não desrespeitei ele em nenhum momento, só pedi licença”, afirmou.

Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra o jogador deitado no chão, chorando, enquanto integrantes da comissão técnica e policiais militares que chegaram ao local o consolavam. Pela versão de Kaique, o agressor já tinha deixado o campo quando a Polícia Militar chegou. A corporação informou ao g1 que o atleta estava muito nervoso e desesperado, e precisou ser acalmado para retomar a partida.

Kaique disse que não dormiu na noite do ocorrido e que a experiência mudou sua vida. Ele afirmou que pensou em desistir de tudo e cobrou punição: quer que o responsável pague pelo que disse e incentivou outras vítimas a denunciar.

Caso segue sob investigação

O caso foi registrado na delegacia no dia seguinte e é investigado pela Polícia Civil como crime de racismo.

Em nota, a organização do 13º campeonato do Povoado Cachimbo manifestou solidariedade ao atleta, que defende a equipe Bacopari Mirim, e afirmou não compactuar com qualquer ato racista. A entidade disse ainda que o atleta tem direito de buscar os órgãos competentes e que o autor das ofensas deve responder por seus atos.

O nome do suposto agressor não foi divulgado, e por isso o g1 não conseguiu obter um posicionamento dele sobre o caso.

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