A doença de Chagas continua assustando os moradores de Abaetetuba, nordeste do Pará | Portal Tailândia

A doença de Chagas continua assustando os moradores de Abaetetuba, nordeste do Pará. A Secretaria de Saúde do Estado (Sespa) considera que há um surto da doença no município. De acordo com a Sespa, só em agosto deste ano foram registrados 18 casos na região. Em todo o Pará, 59 casos foram contabilizados de janeiro à agosto de 2012.

A expressão da estudante Ana Cristina Barbosa não esconde o mal estar. Febre, calafrio e dores no corpo. Ela só descobriu que tinha a doença de chagas depois de 10 dias apresentando os sintomas. “Eu ia no hospital, e só me davam injeção, e não passava nada”, lamenta.

A secretaria de saúde de Abaetetuba suspeita que a maioria das vítimas foi infectada após tomar açaí em um dos pontos de vendas na região. A dona do estabelecimento, o filho e a neta dela, também contraíram a doença. O local precisou ser interditado pela vigilância sanitária.

Já mostramos no Portal Tailândia uma notícia sobre o surto da doença (ver AQUI).

Se não for tratada rapidamente, a doença pode resultar em sequelas graves como a inflamação dos rins, fígado e coração. “Se, de repente, a pessoa for um trabalhador rural ou de máquinas pesadas, ela provavelmente não poderá mais continuar com o serviço, porque a doença afeta o coração”, esclarece a coordenadora da doença de chagas, Elenild Goes.

Agente de saúde segura Barbeiro recolhido de praça em Monte Alto, SP (Foto: Reprodução/EPTV)Doença de Chagas é transmitida pelo Barbeiro.  
(Foto: Reprodução/EPTV)

O parasita responsável pela doença de Chagas se hospeda no inseto barbeiro, e é transmitido principalmente pelo consumo de alimentos contaminados. Um estudo feito pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo (SP), comprovou que o parasita consegue sobreviver na polpa do açaí refrigerado e até congelado.

“Nós temos dados de conservação do açaí contaminado com o parasita, que mesmo mantido a uma temperatura de menos 20°, durante o período de 24h, o alimento é capaz de matar camundongos”, conta Ana Guaraldo, do Instituto de Biologia da Unicamp.

Segundo especialistas, na produção artesanal, o risco de contaminação pelo barbeiro é eliminado quando o fruto do açaí passa por um tratamento térmico semelhante ao da pasteurização, que normalmente é utilizado pela indústria exportadora de açaí. Mas de acordo com autoridades de saúde, muitos vendedores artesanais ainda não cumprem as normas de higiene.

Contaminação de açaí pode estar relacionada a incidência de doenças de chagas no Pará. (Foto: Divulgação/ Elivaldo Pamplona/Prefeitura Municipal de Belém)

 

g1pará

 

 

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