As festas de fim de ano, tão aguardadas pelos paraenses, merecem atenção. Em tempo de pandemia, a presença da Covid-19 exige que as pessoas redobrem os cuidados para evitar a contaminação, sobretudo para quem vai viajar, aproveitar a virada do ano em praias ou na casa de parentes ou amigos.

Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em novembro, 1.197 milhão de pessoas residentes no Pará declararam não ter feito nenhum tipo de restrição ao contato social. Isto significa que 13,79% da população paraense deixou de dar atenção às medidas de isolamento social, apesar de a pandemia ainda não ter acabado. Um salto significativo em relação a setembro, quando 886 mil indivíduos estavam no grupo dos que minimizaram as restrições.

De acordo com a infectologista Andréa Beltrão, o uso de máscaras, do álcool a 70% e o distanciamento social ainda são as medidas mais eficazes contra a infecção do novo coronavírus e não podem ser negligenciados apesar de não estarmos em colapso. “Estamos com aumento no número de casos e com o quantitativo de leitos para Covid-19 reduzidos. Foi importante o cancelamento de festas, porém, mesmo as particulares merecem cuidados. Usar a máscara se não estiver comendo e bebendo; manter uma quantidade mínima de pessoas no ambiente; manter o distanciamento de pelo menos dois metros e usar sempre o álcool são fundamentais”.

Além disso, ela acrescenta que em hipótese alguma a pessoa deve ir doente para as comemorações, principalmente se estiver com sintomas respiratórios ou com febre. “Atentar também caso haja no local indivíduos que apresentem comorbidades como diabetes, hipertensão arterial, dentre outras, e evitar se aproximar o máximo possível, mesmo estando de máscara”, alerta a médica.

Quem disse estar seguindo à risca os protocolos sanitários é o repositor Moisés Sousa, 20 anos. Na tarde de ontem (29), ele acompanhava a namorada no Terminal Rodoviário, em São Brás, que estava com viagem marcada para o nordeste paraense. “Ela precisa voltar para a cidade dela e já aproveita o Réveillon para ficar com os parentes. Eu vou passar a virada do ano em casa, somente com a família, justamente porque não queremos aglomeração. Essa doença trouxe muitas dores, perdi minha avó e não vou me descuidar”.

Assim como Moisés, os pais foram acometidos pela doença e não querem descuidar das medidas sanitárias. “Eles adoeceram e eu tive um quadro da doença de moderado a grave, com falta de ar, febre, mal-estar e ausência de paladar e olfato. Fiquei mais de um mês em casa tentando restabelecer a saúde. Então, não queremos relaxar”, contou.

Nose terminais a movimentação segue grande, indicam cuidados maiores com medidas contra a doença
Nose terminais a movimentação segue grande, indicam cuidados maiores com medidas contra a doença (Fernando Araújo)

Com viagem para o Tocantins, marcada para esta terça, às 19h, o enfermeiro Thaylon Nascimento, 30, disse não abrir mão de visitar os familiares no estado, sem esquecer os cuidados necessários. “Minha família toda é de lá e pretendo ficar até o dia 3 de janeiro com eles, pois moro na Ilha do Marajó. Sempre fica o receio de viajar, esbarrar nas pessoas, mas estou adotando todos os cuidados”, relatou. Em maio, ele também foi acometido pela doença, mas esteve assintomático. “Minha esperança é a de que a vacina venha logo. Este ano, principalmente em maio e junho foram muito difíceis no hospital onde trabalho, com muitas pessoas doentes”, declarou.

PRAIAS

Andréa Beltrão explica que embora a praia seja um local aberto, exige-se cuidados. “Apesar de o vírus não circular muito neste ambiente, é essencial ficar atento quanto à aglomeração e manter o distanciamento. Buscar locais mais isolados e menos fechados, não compartilhar talheres, pratos e copos, e fazer uso preferencialmente dos descartáveis. Não podemos colocar em risco a nossa saúde e nem a dos outros”, orientou.

Partindo para Pernambuco, litoral brasileiro, o técnico em manutenção Paulo Cesar Pereira, 38, diz estar ciente quanto aos protocolos de saúde contra a Covid-19. Ele vai aproveitar o réveillon com os parentes, mas fez questão de adiantar o recado quanto aos cuidados. “Já avisei os meus pais e as crianças da família que vamos evitar abraços e que manteremos o uso dos acessórios exigidos. Não sei se tive Covid, mas em março minha mãe teve alguns sintomas. Só espero que a vacina venha para acabar com tudo isso e voltarmos à normalidade”. Já a aposentada Rosália Damasceno, 66 anos, chegou de São Paulo, após uma visita ao filho, e mostrou-se esperançosa em relação às medidas sanitárias. “Tanto lá quanto aqui vejo que as pessoas, no geral, têm se preocupado com o uso da máscara, do álcool e espero que isso se mantenha, principalmente neste fim de ano”, relatou.

Diário Online

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