Produção de dendê no Pará recebe incentivos e envolve a agricultura familiar. (Foto: Rafael Araújo)

Consumidores globais de óleo comestível não têm outra opção a não ser pagar mais caro pelo fornecimento do produto depois da surpreendente proibição de exportação de óleo de palma pela Indonésia.

A medida do maior produtor de óleo de palma do mundo forçou os compradores a buscar alternativas, que já estão em falta devido ao clima adverso e à invasão da Ucrânia pela Rússia.

A decisão da Indonésia de proibir as exportações a partir de quinta-feira elevará os preços de todos os principais óleos comestíveis, incluindo óleo de palma, óleo de soja, óleo de girassol e óleo de colza, preveem especialistas da indústria.

Isso colocará uma pressão extra sobre os consumidores sensíveis aos custos na Ásia e na África, atingidos pelos preços mais altos de combustíveis e alimentos.

“A decisão da Indonésia afeta não apenas a disponibilidade de óleo de palma, mas também óleos vegetais em todo o mundo”, disse à Reuters James Fry, chairman da consultoria de commodities LMC International.

O óleo de palma –usado em vários produtos, desde bolos e gorduras de fritura a cosméticos e produtos de limpeza — responde por quase 60% dos embarques globais de óleo vegetal, e a Indonésia corresponde a cerca de um terço de todas as exportações de óleo vegetal. O país anunciou a proibição de exportação em 22 de abril, em um movimento para combater o aumento dos preços domésticos.

“Isso está acontecendo quando as exportações de todos os outros principais óleos estão sob pressão: óleo de soja devido às secas na América do Sul; óleo de colza devido às colheitas desastrosas de canola no Canadá; e óleo de girassol por causa da guerra da Rússia na Ucrânia”, disse Fry.

Os preços do óleo vegetal já subiram mais de 50% nos últimos seis meses, devido à escassez de mão de obra na Malásia a secas na Argentina e no Canadá –maiores exportadores de óleo de soja e óleo de canola, respectivamente –, que reduziram a oferta.

Compradores esperavam que uma safra abundante de girassol na Ucrânia aliviasse o aperto, mas os fornecimentos de Kiev pararam por causa do que a Rússia chama de “operação especial” no país.

Isso levou os importadores a apostar no óleo de palma, capaz de preencher a lacuna de oferta, até que a proibição de choque da Indonésia trouxe um “golpe duplo” aos compradores, disse Atul Chaturvedi, presidente do órgão comercial da Associação de Extratores de Solventes da Índia (SEA).

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Sem alternativas

Importadores como Índia, Bangladesh e Paquistão tentarão aumentar as compras de óleo de palma da Malásia, mas o segundo maior produtor de óleo de palma do mundo não pode preencher a lacuna criada pela Indonésia, disse Chaturvedi.

A Indonésia normalmente fornece quase metade das importações totais de óleo de palma da Índia, enquanto o Paquistão e Bangladesh importam quase 80% de seu óleo de palma da Indonésia.

“Ninguém pode compensar a perda de óleo de palma da Indonésia. Todo país vai sofrer”, disse Rasheed JanMohd, presidente da Associação de Refinadores de Óleo Comestível do Paquistão (PEORA).

Dendê no Brasil

O Brasil ocupa a 9º posição na produção de óleo de palma mundial, sendo o Parámaior produtor do país de óleo de palma, com uma produção anual de 3,200.000 t/CFF e uma área plantada de 231.669 hectares, até 2019, de acordo com dados da SEDAP (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca).

No cenário nacional, Tailândia ocupa uma posição de destaque no cultivo de palma, sediando empresas como Agropalma e Belém Bioenergia Brasil.

Via Reuters / Forbes Brasil

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