Consumidores globais de óleo comestível não têm outra opção a não ser pagar mais caro pelo fornecimento do produto depois da surpreendente proibição de exportação de óleo de palma pela Indonésia.
A medida do maior produtor de óleo de palma do mundo forçou os compradores a buscar alternativas, que já estão em falta devido ao clima adverso e à invasão da Ucrânia pela Rússia.
A decisão da Indonésia de proibir as exportações a partir de quinta-feira elevará os preços de todos os principais óleos comestíveis, incluindo óleo de palma, óleo de soja, óleo de girassol e óleo de colza, preveem especialistas da indústria.
Isso colocará uma pressão extra sobre os consumidores sensíveis aos custos na Ásia e na África, atingidos pelos preços mais altos de combustíveis e alimentos.
“A decisão da Indonésia afeta não apenas a disponibilidade de óleo de palma, mas também óleos vegetais em todo o mundo”, disse à Reuters James Fry, chairman da consultoria de commodities LMC International.
O óleo de palma –usado em vários produtos, desde bolos e gorduras de fritura a cosméticos e produtos de limpeza — responde por quase 60% dos embarques globais de óleo vegetal, e a Indonésia corresponde a cerca de um terço de todas as exportações de óleo vegetal. O país anunciou a proibição de exportação em 22 de abril, em um movimento para combater o aumento dos preços domésticos.
“Isso está acontecendo quando as exportações de todos os outros principais óleos estão sob pressão: óleo de soja devido às secas na América do Sul; óleo de colza devido às colheitas desastrosas de canola no Canadá; e óleo de girassol por causa da guerra da Rússia na Ucrânia”, disse Fry.
Os preços do óleo vegetal já subiram mais de 50% nos últimos seis meses, devido à escassez de mão de obra na Malásia a secas na Argentina e no Canadá –maiores exportadores de óleo de soja e óleo de canola, respectivamente –, que reduziram a oferta.
Compradores esperavam que uma safra abundante de girassol na Ucrânia aliviasse o aperto, mas os fornecimentos de Kiev pararam por causa do que a Rússia chama de “operação especial” no país.
Isso levou os importadores a apostar no óleo de palma, capaz de preencher a lacuna de oferta, até que a proibição de choque da Indonésia trouxe um “golpe duplo” aos compradores, disse Atul Chaturvedi, presidente do órgão comercial da Associação de Extratores de Solventes da Índia (SEA).
📲 Participe do Canal do Portal Tailândia no WhatsApp
📲 Acompanhe o Portal Tailândia no Facebook, no Instagram e no X.
Sem alternativas
Importadores como Índia, Bangladesh e Paquistão tentarão aumentar as compras de óleo de palma da Malásia, mas o segundo maior produtor de óleo de palma do mundo não pode preencher a lacuna criada pela Indonésia, disse Chaturvedi.
A Indonésia normalmente fornece quase metade das importações totais de óleo de palma da Índia, enquanto o Paquistão e Bangladesh importam quase 80% de seu óleo de palma da Indonésia.
“Ninguém pode compensar a perda de óleo de palma da Indonésia. Todo país vai sofrer”, disse Rasheed JanMohd, presidente da Associação de Refinadores de Óleo Comestível do Paquistão (PEORA).
Dendê no Brasil
O Brasil ocupa a 9º posição na produção de óleo de palma mundial, sendo o Pará o maior produtor do país de óleo de palma, com uma produção anual de 3,200.000 t/CFF e uma área plantada de 231.669 hectares, até 2019, de acordo com dados da SEDAP (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca).
No cenário nacional, Tailândia ocupa uma posição de destaque no cultivo de palma, sediando empresas como Agropalma e Belém Bioenergia Brasil.
Via Reuters / Forbes Brasil
