Ônibus não saem da garagem e usuários enfrentam dificuldades durante greve em Belém. (foto: Twitter @Paránotícias1)

Os municípios da Grande Belém iniciaram esta quinta-feira (19) sem ônibus circulando, afetando 2 milhões de usuários. Reunidos em assembleia geral na noite de ontem (18), os rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba deflagraram greve a partir da meia-noite de hoje.

Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Pará, todos os ônibus de Belém, Ananindeua e Marituba ficaram parados na garagem. Antes mesmo de a greve ser deliberada, o Tribunal determinou a circulação de 80% da frota e ainda multa de R$ 20 mil por ônibus sem cobrador. A diretoria do sindicato, entretanto, afirma que 20% da frota paralisada “não é greve”, e portanto paralisou completamente as atividades.

Um ato público estava previsto para as 10h, na Praça do Operário, em São Brás, mas foi cancelado e os trabalhadores receberam orientação do sindicato para continuarem concentrados nas garagens. Durante a tarde, às 15h, a categoria deverá se reunir para uma negociação mediada pela desembargadora do Trabalho Francisca Oliveira Formigosa, a mesma que emitiu uma medida cautelar em favor da Federação das Empresas de Transportes da Região Norte (Fetranorte) e do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel).

 

Os motoristas de vans aproveitaram o momento para faturar. As ruas da cidade estão tomadas por transportes alternativos, que vão servir como opção para quem precisar se locomover na Grande Belém. “Em São Brás, muita gente esperando e confusão. Havia motoristas de vans cobrando R$ 5,00 para fazer viagens até Icoaraci, preço bem acima do normal”, diz Gustavo Rodrigues, que saiu de São Brás rumo ao bairro do Marco, onde trabalha. Pelas redes sociais, moradores de Ananindeua e Icoaraci relataram vans cobrando até R$ 10 por pessoa.

Após a assembleia, a diretoria do Sindicato dos Rodoviários de Belém se reuniu a portas fechadas e não divulgou se atenderá ou não à determinação da Justiça. A categoria se concentrará às 8h, em São Brás, e ficará parada até sair o resultado da reunião de negociação no TRT, que estava marcada para ontem (18) e foi adiada para as 15h da tarde, a pedido do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

REAJUSTE

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (Sintran), Huerllen Ferreira, adiantou que a categoria pretende acatar a proibição da catraca livre, mas a manutenção da frota vai depender de cada motorista e cobrador. “Em Ananindeua, vamos tentar atender, mas não é possível garantir, vai depender de cada um”, informou. A categoria reivindica 10% de reajuste salarial.

Outra reivindicação é o retorno da jornada de trabalho de 6 horas e 20 minutos. Desde o ano passado, as empresas aumentaram para 8 horas e 20 minutos. Huerllen explica que o rodoviário fica parado por uma hora nos fins de linha suscetível a assaltos e, por vezes, entra em conflito com os usuários. A categoria reivindica, ainda, a instalação de ponto biométrico para coibir excesso de horas extras não pagas e a substituição do auxílio clínica por plano de saúde.

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Fonte: Twitter @leonardobrc

A DECISÃO JUDICIAL 

Na noite de terça-feira (17) a desembargadora do Trabalho, Francisca Oliveira Formigosa, emitiu uma medida cautelar em favor da Federação das Empresas de Transportes da Região Norte (Fetranorte) e do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel), garantindo aos municípios, 80% da frota de ônibus nas ruas caso a greve fosse deflagrada. A decisão exige a circulação desse percentual da frota nos horários normais e 100% de circulação nos horários de pico. O não cumprimento será convertido em multa de R$ 100 mil por dia. Em caso de circulação em ‘catraca livre’, a multa será de R$ 20 mil veículo/dia.

 

Fonte: DOL

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