Cerca de 200 pessoas foram para a frente do Batalhão da Polícia Militar em Tailândia aguardar a promessa de mais cestas básicas.
Cerca de 200 pessoas foram para a frente do Batalhão da Polícia Militar em Tailândia aguardar a promessa de mais cestas básicas.
Cerca de 200 pessoas foram para a frente do Batalhão da Polícia Militar em Tailândia aguardar a promessa de mais cestas básicas.

Tailândia (PA) – Para quem enfrenta a comida escassa em casa, um boato de que vai ter cesta básica gratuita é suficiente para justificar um deslocamento. Assim, cerca de 200 pessoas foram para a frente do Batalhão da Polícia Militar em Tailândia, porque ouviram dizer que chegariam ali cestas mandadas pela governadora Ana Júlia e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, os policiais garantiam se tratar apenas de informação sem procedência. Na espera, dramas pessoais e um apelo por mais empregos.

A doméstica Rosimar de Nazaré, 26 anos, contou estar desempregada não por querer. “Em cada porta que eu bato pedindo emprego dizem que está difícil. Enquanto não liberarem os empregos para os pais de família, têm que dar cesta”, disse. Ontem (28), Nazaré conseguiu uma das cestas distribuídas pelo prefeito Paulo Jasper, o Macarrão, na porta da casa dele, adquiridas com dinheiro público. Mas alegou não ter sido suficiente para alimentar as dez pessoas da casa. “Hoje já não tem quase nada”, contou.

O operador de motosserra Vital Ribeiro, 30 anos, também no aguardo de alimento, disse acreditar que projetos de agricultura poderiam ser implantados para gerar emprego a quem tiver que deixar de viver da madeira. Chegando a pé ou de bicicleta, o grupo cresce e um morador mais desinibido se apresenta como Negão da Tapioca. É Joselino Trindade, de 44 anos, que trabalha na venda do produto que lhe rendeu o apelido. “Estou levando mais tapioca de volta para casa do que vendendo”, reclamou.

Trindade demonstrou estar ciente de haver ali um problema social grave: “A cesta básica pode resolver momentaneamente, mas queremos uma ação enérgica por parte dos nossos governantes. O povo está à deriva e a pior coisa é um filho pedir comida e você não poder dar.” Ele argumentou que “aqui está parecendo a Somália [país africano onde a fome já atingiu boa parte da população e provocou mortes]”. E concluiu: “Queremos é trabalho. Quem trabalha não precisa pedir, vai no supermercado e compra o que quiser. O povo de Tailândia precisa de condições dignas para as famílias”.

Negão da Tapioca foi efusivamente aplaudido pelos conterrâneos, enquanto a cerca de dois quilômetros, o prefeito Macarrão não cumpriu expediente e nenhum secretário municipal aceitou falar sobre a situação econômica de Tailândia. Todos alegaram trabalho com o fechamento da folha de pagamento. A chefia de gabinete sugeriu à reportagem dar uma volta para conhecer a realidade do município.

 

Marco Antônio Soalheiro
Agência Brasil

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