Os acidentes com animais peçonhentos são mais frequentes do que se imagina. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em 2019 foram registrados 8.737 casos com 30 óbitos, no Pará; em 2020, houve um ligeiro aumento com 8.491 casos com 40 óbitos. Em janeiro deste ano, já foram contabilizados 963 acidentes com animais peçonhentos que resultaram em quatro óbitos.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), animais peçonhentos são aqueles que produzem peçonha (veneno) e têm condições naturais para injetá-la em presas ou predadores. Essa condição é dada naturalmente por meio de dentes modificados, aguilhão, ferrão, quelíceras, cerdas urticantes, nematocistos entre outros. Entre os animais peçonhentos mais comuns são serpentes, escorpiões, aranhas, lacraias, abelhas, vespas, marimbondos e arraias.

Mudança climática, além das intensas chuvas nesta época do ano, são alguns fatores que favorecem o surgimento de animais peçonhentos, tanto na área rural, ribeirinha, bem como no meio urbano, este último causado principalmente pelo desmatamento.

Referência na assistência de média complexidade aos usuários do Sistema Único de saúde (SUS) na mesorregião do nordeste paraense, o Hospital Geral de Tailândia (HGT), registrou em 2019, 144 casos. Em 2020 houve aumento de casos com 186 ataques de animais peçonhentos. Em janeiro e fevereiro deste ano foram atendidos 24 vítimas de picadas desses animais.

Em cerca de 90% dos casos, os ataques foram por serpentes, principalmente jararacas, seguido de escorpiões e aranhas.

De acordo com o enfermeiro, Wanderson Lisboa Braga, do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do HGT, o ataque de serpentes lidera os casos, com 288 vítimas, seguido de 50 por escorpião e 11 causados por aranha.

No HGT, as vítimas de acidentes causados por esses animais têm assistência garantida 24 horas, no setor de Urgência e Emergência. Ao chegar ao hospital, o usuário recebe a classificação de atendimento dependendo da reação à picada, tipo de animal, da parte do corpo afetada e a quantidade de veneno introduzida no organismo.

Segundo Wanderson Braga, a maior incidência é de ataque de cobra Bothrops, mais conhecida como jararaca. “São várias as situações que levam a acidentes com animais peçonhentos, entre as quais o ambiente de trabalho, principalmente em áreas rurais alagadas por causa das chuvas”.

Entre as vítimas atendidas pela equipe do HGT, este mês, está o agricultor João Édice Fonseca, 54 anos, morador da zona rural do Acará, na PA-256. Vicinal Pau Amarelo, comunidade Camelão, que foi picado por uma jararaca, quando limpava um tronco de árvore. Esta é a sexta vez que sofre este tipo de ataque.

“Eu estava limpando um tronco quando a enxada prendeu em algo, foi quando senti ataque. Quando olhei para saber que bicho era, a cobra voou na minha mão e agarrou”, relembrou ao detalhar que após o ataque correu para sua casa, mas já chegou com dores no corpo, aperto no peito e a vista escureceu.

Familiares e amigos o ajudaram a chegar até posto de saúde do Distrito de Palmares, de onde foi encaminhado para assistência no HGT. Já no hospital, ele relatou que neste período, as cobras aparecem muito. “Só este mês foram 8 do tipo jararaca. É difícil um pau seco não ter uma cobra”. Com a evolução positiva de seu de estado de saúde, ele deverá terá alta clínica ainda esta semana.

Como proceder ao ser atacado por animais peçonhentos- O Ministério da Saúde sugere primeiros socorros, como lavar o local da picada com água e sabão; não fazer torniquete ou garrote; não furar, cortar, queimar, espremer ou fazer sucção no local da ferida, e nem aplicar folhas, pó de café ou terra, para não provocar infecções; não ingerir bebida alcoólica, querosene ou fumo, como é costume em algumas regiões do país, e levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para que possa receber o tratamento adequado a tempo.

Consequências – De acordo com o diretor Técnico do hospital, Jefferson Sousa de Abreu, o envenenamento por esses animais pode acarretar complicações à vítima, como hemorragias, devido à alteração da coagulação causada pela toxina liberada pelo animal. “O edema pode levar, muitas vezes, à necessidade de procedimento cirúrgico: a fasciotomia, procedimento que implica em cortes longitudinais para evitar complicações na circulação do membro afetado, evitando assim a amputação, a infecção ocasionada pelo ferimento contaminado, insuficiência renal, que requer vigilância rigorosa”.

O médico afirma que o HGT tem estoque de vacina para atender seus usuários. Até o momento, não foi registrado óbito no hospital, mas o atendimento precisa ser imediato para diminuir esse risco.

Prevenção – De uma forma em geral, as pessoas devem tomar algumas atitudes preventivas, como andar calçados; usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem; nunca colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros etc.; não depositar ou acumular material inútil junto à habitação rural, como lixo, entulhos e materiais de construção; controlar o número de roedores existentes na área, para evitar a aproximação de serpentes venenosas que se alimentam deles; no amanhecer e entardecer, em sítios, fazendas, chácaras ou acampamentos, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins.

O HGT é uma unidade do Governo do Estado, sob a administração do Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa).

Serviço: O Hospital Geral de Tailândia fica na Avenida Florianópolis, s/n, no Bairro Novo. Mais informações pelo fone (91) 3752-3121.

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