Imagem aérea da cidade de Tailândia (Foto: Josenalfo Jr. / Portal Tailândia)
Imagem aérea da cidade de Tailândia (Foto: Josenalfo Jr. / Portal Tailândia)
Imagem aérea da cidade de Tailândia (Foto: Josenalfo Jr. / Portal Tailândia)

Por Reinaldo Araújo – Bacharel em História pela UFPA

silva23araujo@gmail.com

Não obstante a diversidade econômica brasileira, podemos considerar que a Crise Econômica que assola o País chegou à Tailândia. Não precisa ir longe a pesquisas governamentais, basta visitar o comércio do município e o índice de inadimplência nos bancos e nas lojas e o número do desemprego. Essa realidade econômica se traduz, obviamente, no descontrole das contas públicas do governo central, a falta de planejamento da economia do município, antes dominada pela extração da madeira de forma predatória, sem falar do calendário eleitoral que atrapalha a busca de soluções concretas para um novo modelo econômico regional.

Para se ter uma ideia, em 2001, levantamento elaborado a partir de dados disponibilizados pelo IBGE e pelo DATASUS, demonstrou que Tailândia, no auge da extração madeireira e da criação pecuária se destaca com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 139.022,00, o que representava a participação no lugar do Ranking Nacional de 919º e no Estadual de 19º. Em 2012, já com a passagem do furacão “Arco de Fogo” e a crise que se estabeleceu, nossa participação até aumentou para R$ 425.945,00 do PIB, o que nos recolocou para 1.015º do Ranking Nacional e 28º Estadual. Rebaixando-nos em quase 10 pontos no Estado. Essa queda pode se explicar pelo alto investimento dos governos Federal e Estadual em infraestrutura para os municípios do sul do Estado, nos deixando a revelia.

Outro dado deve nos preocupar também: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), pesquisa elaborada a partir do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Fundação João Pinheiro (FJP), com dados extraídos dos Censos Demográficos de 1991, 2000 e 2010.

Essa pesquisa expõe o grau de desenvolvimento social que tivemos até 2010, que foi de 0,588, numa escala que varia de 0 a 1 considerando indicadores de longevidade (saúde), renda e educação. Quanto mais próximo de 0, pior é o desenvolvimento humano do município. Quanto mais próximo de 1, mais alto é o desenvolvimento.

Pelo menos nessa variação não estamos entre os piores indicadores do Brasil, mas é fator a ser considerado. Assim, quando falamos nesse índice temos que analisar os dados que nos levaram a essa posição. No mesmo período, nosso IDH-Médio na Longevidade ficou em 0,776, o que quer dizer que estamos vivendo mais; na Renda 0,583, continuamos recebendo menos que a média nacional e no IDH-Médio da Educação, 0,450, precisamos nos esforçar mais na educação, haja vista que esses números determinam o quanto o Governo Federal deve investir no município.

Bom, digamos que nosso objetivo nesse artigo é apontar da forma mais clara possível o quanto somos vulneráveis. Nossos políticos, digo: todos os que sentaram na cadeira da prefeitura nesses últimos 27 anos, não se preocuparam no esboço (pelo menos isso) de um Planejamento Estratégico para a nossa economia e o desenvolvimento sustentável, acabando por enveredarem por caminhos tortuosos do oportunismo e malversação do dinheiro público. Tailândia precisa com urgência de cabeças que possam pensar o município para todos, com equidade e responsabilidade.

Podemos dizer, ainda, que todos nós acabamos por errar. É muito fácil culpar somente o Poder Público, temos também que fazer autocrítica, os comerciantes e fazendeiros, os madeireiros e os pecuaristas, trabalhadores da agricultura. Se tivéssemos a noção da importância de criticar e exigir mudanças, sem ser demagogo ou oportunista, às coisas seriam diferentes.

Somos uma região que foi colonizada por paraenses de Belém e de outros municípios, por nordestinos, colonos do Centro-Oeste e Sul, somos uma diversidade cultural e social, dessa forma o município tem saída, basta propostas e união. Precisamos nos unir num movimento de repensar Tailândia de forma participativa de fato, opinando e apresentando propostas.

Ainda nesse sentido, o calendário eleitoral está se condensando e quanto mais perto chega o próximo pleito, os nervos se aguçam. E a propósito há uma matéria lida por mim na mídia local interrogando se Tailândia tinha um cenário ainda não definido na política. Responderia: que está se definindo sim!

Desde há muito tempo, com a decepção da atual administração, parte do grupo situacionista (que está no poder) já está lançando candidatos. Temos o senhor João Medeiros, conhecido como João “Paragominas”, o senhor Roberto Gambin, do Grupo Catarinense, o próprio prefeito Ney, e ainda cogitam a volta do ex-prefeito Gilbertinho ou de seu filho como candidato.

Do lado da oposição (os que não estão no poder), a posse do diretório municipal do Partido Liberal Social (PLS), no dia 23 de maio, tornou-se palanque de pré-candidaturas. Foram lançadas as pré-candidaturas de João Paulo, pelo PCdoB, e do senhor Gil Varela, pelo PT, além do presidente municipal do PMDB afirmar que o partido terá candidato próprio que pode ser o ex-Deputado Estadual Paulo Jasper (Macarrão) ou outra liderança política partidária.

Como dito, o candidato que vencer as próximas eleições para prefeito terá que ter a dignidade de repensar o município e chamar toda a sociedade para elaborar um Plano de Desenvolvimento, a curto e médio prazo, para deslanchar a economia da cidade e deixar para traz o tempo perdido.

Quanto à crise econômica, devemos pesquisar e economizar o pouco que temos esperando a tempestade passar e sabemos, como brasileiros que somos, esse tempo ruim vai acabar, dias melhores virão com um amanhecer com sol.

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