Pessoas realizam um protesto na avenida Paulista contra a nomeação do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, durante a noite desta quarta (Foto: Nelson Antoine/FramePhoto/Estadão Conteúdo)
Pessoas realizam um protesto na avenida Paulista contra a nomeação do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, durante a noite desta quarta (Foto: Nelson Antoine/FramePhoto/Estadão Conteúdo)
Pessoas realizam um protesto na avenida Paulista contra a nomeação do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, durante a noite desta quarta (Foto: Nelson Antoine/FramePhoto/Estadão Conteúdo)

Manifestações, panelaços e buzinaços contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil aconteceram, nesta quarta-feira (16), em ao menos 16 Estados e no Distrito Federal. Na maioria dos casos, as pessoas foram para as ruas depois do expediente de trabalho para manifestar indignação contra a decisão da presidente Dilma Rousseff (PT), sem que houvesse uma convocação prévia em dias anteriores vias redes sociais (o que ocorreu nos protestos do último domingo, 13). Houve registros também de ‘panelaços' e ‘buzinaços' em várias cidades.

Os protestos começaram no início da noite e acontecem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Goiás, Paraná, Pará, Bahia, Amazonas, Alagoas, Paraíba, Ceará e Mato Grosso do Sul.

Em São Paulo, centenas de pessoas se reuniram na avenida Paulista, que foi bloqueada nos dois sentidos. A avenida foi palco dos protestos do último domingo (13), que reuniu milhares de pessoas. Quatro quadras da avenida chegaram a ser ocupadas na Paulista na noite desta quarta.

Por ter sido organizado de última hora, a Polícia Militar ainda não divulgou uma estimativa do número de pessoas presentes no ato de hoje. Os manifestantes exibiram cartazes com frases como “Lula na cadeia” e “a jararaca está fugindo”. Além disso, entoavam gritos de baixo calão e faziam pedidos de renúncia de Dilma.

O protesto começou por volta das 18h, no vão livre do Masp, e se concentrou nas proximidades do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Muitos ficaram sabendo da manifestação quando saíam da aula ou do trabalho. Muitos usavam camisas da seleção brasileira e balançavam bandeiras do Brasil.

Prédio da Fiesp, na avenida Paulista, estampa os dizeres "Renúncia já"
Prédio da Fiesp, na avenida Paulista, estampa os dizeres “Renúncia já”

A parte frontal do edifício da Fiesp passou a exibir na noite desta quarta a frase “Renúncia Já!”.

Cerca de dez manifestantes também protestaram em frente ao Instituto Lula, no Ipiranga, na zona sul de São Paulo, onde se encontrava o ex-presidente Lula. Eles batiam palmas e gritavam ofensas ao ex-presidente, como “ladrão” e “vagabundo”, além de “fora, PT”.

Ao longo do dia, motoristas de carros e ônibus passaram em frente à sede do instituto gritando ofensas a Lula. O ex-presidente já deixou a sede do instituto, de carro, sem falar com a imprensa.

Na contramão dos protestos contra o governo, no Tuca, teatro da PUC-SP, centenas de pessoas participavam de ato em defesa da democracia com a presença de artistas, intelectuais, juristas, movimentos sociais e alunos. Há gritos de “não vai ter golpe” e reação de prédios vizinhos da região de Perdizes, em São Paulo, com panelas.

Em São Bernardo (SP), logo após a Polícia Militar colocar um cordão de isolamento em frente ao prédio de Lula, os ânimos de manifestantes pró e contra o ex-presidente se exaltaram e houve confusão entre os grupos. A PM precisou utilizar bombas de gás lacrimogêneo.

Antes do enfrentamento, os manifestantes estavam trocando apenas palavras de ordem, como “Fora, ladrão” e “Não fui pago para estar aqui”. Os militantes a favor de Lula são, em sua maioria, filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Já os contrários ao ex-presidente são moradores locais e curiosos que estavam passando pela rua, que está totalmente fechada.

Há pouco, a Polícia Civil de São Bernardo também ameaçou estourar bombas contra os manifestantes. Lula ainda não chegou a seu apartamento. Não há informações se ele realmente irá para São Bernardo, já que a posse como chefe da Casa Civil foi adiada para amanhã.

Em Brasília, um pequeno grupo de petistas entrou em confronto com centenas de manifestantes que protestavam contra a nomeação em frente ao Palácio do Planalto. Houve correria e a polícia agiu com truculência entre os manifestantes, com uso de cassetetes e spray de pimenta. A Praça dos Três Poderes, uma da principais vias de acesso à região central de Brasília, foi tomada por manifestantes e o trânsito no local foi parcialmente bloqueado. O grupo gritava palavras de ordem e pedia a saída de Lula e do PT.

Manifestantes chegaram a gritar que iriam invadir o Planalto, o que não ocorreu. Um cordão de isolamento da polícia foi formado em frente de toda a extensão do Palácio. O grupo que está fazendo a manifestação é formado, em sua maioria, por funcionários que, na saída do trabalho, resolveram protestar.

O grupo migrou para a frente do Congresso Nacional aos gritos de “vem todo mundo”, instigando os demais ativistas, além de palavras de ordem como “devolve meu dinheiro, Lula cachaceiro”. O boneco do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado de pixuleco, foi pendurado no mastro onde fica hasteada a bandeira nacional.

Policiais equipados com capacetes e escudos concentram-se na rampa por onde autoridades têm acesso ao Parlamento. Um cone de contenção da Polícia Militar foi arremessado no espelho d'água diante do Congresso.

Alguns deputados estão deixando a Casa pela garagem lateral do Senado ou pelos anexos do Congresso Nacional. Parlamentares como o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), demonstraram apreensão e pediram indicação para os policiais legislativos sobre a saída mais segura do Congresso.

O coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri, disse que os manifestantes não deixarão a Praça dos Três Poderes até que a presidente Dilma renuncie. “Não vamos sair até que eles deixem o governo. Eles dizem que os protestos são da elite, mas eles são a elite”, disse Kataguiri que está sobre um trio elétrico em frente ao Palácio do Planalto.

“VAMOS FAZER MANIFESTAÇÕES TODOS OS DIAS”, DIZ KIM KATAGUIRI

 

Via UOL

 

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