A organização atua há, pelo menos, 10 anos, segundo as investigações que contam com a apreensão de dinheiro, armas, cigarros ilegais, documentos e cheques (Polícia Federal / Assessoria de Comunicação)

A Polícia Federal no Pará cumpriu, nesta quinta-feira (10/11), oito mandados de busca e apreensão no combate ao contrabando e à lavagem de dinheiro. É a Operação Mercador Fenício, com deflagração em vários Estados e participação da Receita Federal e do Ministério Público Federal.

Foram apreendidos aparelhos celulares, HDs, pen drives e documentos. Os alvos com mandados expedidos pela Justiça Federal do Pará são suspeitos de integrar uma espécie de sistema financeiro paralelo para lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada e “laranjas”.

Recursos financeiros eram dispersos por diversas contas bancárias em nome de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos grupos investigados. Esses recursos eram inseridos em atividades comerciais aparentemente lícitas sem ligação direta com integrantes da organização criminosa e, posteriormente, eram remetidos aos operadores das atividades ilícitas, dificultando o rastreamento e fiscalização pelos órgãos de controle e segurança.

A investigação teve origem na Paraíba, onde empresas faziam pedido por contrabando de cigarros, bebidas alcoólicas e mercadorias falsificadas de Trinidad e Tobago, Suriname e Guiana Inglesa.

Pelo menos dois grupos organizados no Pará eram responsáveis pela internalização das mercadorias, de forma clandestina, em pontos da costa dos estados do Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Em seguida, empresas varejistas e atacadistas de diversos estados do país eram abastecidas com essas mercadorias, que por serem fruto de contrabando e descaminho, não eram submetidas à inspeção da Receita Federal, nem recebiam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem comercializadas no Brasil.

Âmbito nacional – A organização criminosa investigada é dividida em núcleos: fornecedores, barqueiros, distribuidores, transportadores rodoviários, atacadistas e varejistas. Entre 2016 e 2020, os grupos investigados movimentaram em torno de R$ 660 milhões.

Foram expedidos 51 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva, além do bloqueio de valores em torno de 713 milhões nos estados do Pará, Goiás, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e no Distrito Federal. A Receita Federal participa da operação com 17 auditores-fiscais e oito analistas-tributários. Já a Polícia Federal participa com cerca de 60 integrantes só no Pará.

O nome da operação é uma alusão à origem libanesa de um dos principais investigados, usando como referência o nome da peça teatral O Mercador de Veneza.
Assessoria de Comunicação da Polícia Federal do Pará, com informações da Receita Federal.

Por: PF

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