Entre os crimes cometidos está a exploração ilegal de madeira (Foto: Mayra Amboni/Ascom Ibama)
Entre os crimes cometidos está a exploração ilegal de madeira (Foto: Mayra Amboni/Ascom Ibama)
Entre os crimes cometidos está a exploração ilegal de madeira (Foto: Mayra Amboni/Ascom Ibama)

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (9), em Belém, mais dois suspeitos de envolvimento nas fraudes para a aprovação e a exploração de planos de manejo florestais irregulares. De acordo com o delegado da Polícia Federal Everaldo Eguchi, a prisão ocorreu após os suspeitos se entregarem para a polícia.

Ainda segundo a PF, no total 16 pessoas já foram presas durante a operação “Tabebúia”, que combate quadrilhas especializadas na fraude, com o intuito de gerar e negociar créditos virtuais fraudulentos nos sistemas Sisdof/Sisflora.

As investigações identificaram fraudes em quatro projetos nos municípios de Santarém e Juruti, no oeste do Pará. As equipes da PF percorreram a Região Metropolitana de Belém, o município de Tailândia, no sudeste do Pará, e o município de Portel, no nordeste do estado, além dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Gravações
Na última segunda-feira (7), a PF divulgou gravações telefônicas obtidas durante as investigações. Em uma delas, o funcionário de uma das empresas que fazia o transporte ilegal de madeira conversa com um patrão sobre suas preocupações a respeito da fiscalização, e cogita oferecer propina aos finais.

“Se esses caras voltarem aqui e falarem que vão levar a madeira lá para o pátio, eu vou falar para fazerem logo um acerto aqui, porque se for para lá, tu sabes que vamos ter problemas. Se eles falarem ‘levo pro pátio para conferir', vou falar ‘não meu amigo!', chamar ele para dentro da caminhonete e fala ‘meu amigo, é o seguinte, vê aí como é que fazemos para liberar' e tá tudo certo”, diz o funcionário.

Em outra gravação, um homem diz que precisa fraudar uma quantidade de madeira que será repassada para fora do país. “Eles precisam vender uma madeira no mercado externo que foi produzida aqui na pampa. Só que a gente não tem mais volume suficiente de dizer que essa madeira veio certificada, entendeu? Então a gente ficou de usar umas madeiras que foram expedidos certificados do mercado interno, que saiu para o mercado interno”, diz o homem.

Esquema Fraudulento
Os fraudadores criavam empresas fantasmas por meio de documentos falsos do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) para aprovarem planos de manejo na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas), mas alteravam os projetos, modificando informações como a espécie e a quantidade de árvores, além das áreas de exploração da madeira. O Iterpa informou que está colaborando com as investigações e forneceu todos os documentos solicitados pela PF.

Após conseguir a aprovação dos planos e autorização para explorar espécies de determinada área, os envolvidos no esquema retiravam madeira de locais de preservação ambiental, como reservas extrativistas e terras indígenas, para lucrar com a exploração ambiental.

A Polícia Federal acredita que as empresas envolvidas nas fraudes tenham negociado algo em torno de
R$ 28 milhões

As árvores declaradas nos planos viravam “crédito de madeira”, um saldo em dinheiro nas contas das empresas cadastradas no Sisflora, o sistema virtual de comercialização e transporte de produtos florestais.

Com os créditos em mãos, os fraudadores conseguiam a documentação necessária para vender peças de madeira, como, por exemplo, o Ipê. Porém, as madeiras eram retiradas de áreas proibidas, entre elas, de reservas indígenas do Pará.

O metro cúbico do Ipê custa cerca de U$ 3.800, tornando o esquema muito lucrativo. As empresas que participavam do esquema criminoso conseguiam mandar a madeira para os Estados Unidos e também para países da Europa. A polícia acredita que as empresas envolvidas nas fraudes tenham negociado algo em torno de R$ 28 milhões, deixando um prejuízo ambiental irreparável.

 

G1 PA

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