Como medida preventiva à propagação da Covid-19, o Governo do Estado do Pará anunciou, em coletiva realizada na manhã de ontem (26), alterações na classificação de bandeiramento nas regiões Tapajós e Xingu do Estado, que passam da bandeira amarela (risco intermediário) para a laranja (risco médio). As restrições provenientes da mudança nas bandeiras deverão ser detalhadas em decreto previsto para ser publicado na edição de segunda-feira (28) do Diário Oficial do Estado (DOE). Ainda como forma de prevenir uma possível sobrecarga no sistema de saúde em decorrência de casos do novo coronavírus, o Governo ainda ampliou em 55 unidades o número total de leitos de UTI disponíveis.

Durante a coletiva transmitida pela internet, o Governador Helder Barbalho apontou a necessidade de atualização das estratégias, destacando que as decisões foram baseadas em informações técnicas e na ciência, como forma de se manter o controle sobre o quadro da estrutura hospitalar. Destacando que o projeto Retoma Pará – plano de reabertura gradativa das atividades econômicas – tem como pilar central a saúde e a preservação da vida dos paraenses, o Governador sinalizou que o Estado tem realizado a avaliação e o acompanhamento diário de quadros e casos de Covid e a avaliação do cenário de oferta e demandas por leitos. “Percebendo a necessidade de atualização das estratégias, viemos comunicar a população a respeito de medidas necessárias principalmente no momento em que estamos com festas de final de ano que causam severas preocupações de que esse acumulado de pessoas e concentrações possam virtrazer ampliação de perdas de vidas e problemas no sistema de saúde”.

O Governador lembrou que desde julho o Estado tem vivenciado uma realidade de estabilidade no número de casos, mesmo após as férias escolares, o Círio de Nazaré, as eleições e as festas de Natal. Porém, Helder apontou que as projeções apresentadas apontam para a necessidade de novas medidas para que se evitem restrições mais severas como as que já vem sendo observadas em outros Estados brasileiros e até em outros países. “Precisamos ter a compreensão de que enquanto não tiver vacina, temos que ter cuidado porque o vírus continua circulando e não podemos, de maneira alguma, imaginar que pela vida ter voltado quase à normalidade que não existe mais uma pandemia entre nós”.

LEITOS

Presente na coletiva, o Secretário Adjunto de Gestão de Políticas de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Sipriano Ferraz, reforçou que uma equipe de infectologistas e epidemiologistas que acompanham diretamente os casos de internação e de óbitos que ocorrem no Estado e que um termômetro fundamental para o cenário está no número de solicitação de leitos de internação no Estado. “Nos últimos dias percebemos uma variação que pode nos preocupar nos próximos 15 a 30 dias. No cenário atual temos 41% de ocupação nos leitos clínicos e 66% nos leitos de UTI, o que, até então, parece um cenário estável”, avaliou. “Porém, o número de solicitações de internações, principalmente nas nossas UTIs vem aumentando consideravelmente nos últimos dias, o que não havia ocorrido após as férias de julho, após o Círio ou após as Eleições”.

O secretário informou que já foram recebidas 358 solicitações de leitos de UTI no Estado no mês de dezembro, sendo que o mês ainda não encerrou. O número já é maior do que o observado no mês de novembro, outubro e setembro. “As solicitações não param de chegar, então já estamos nos antecipando e vamos abrir mais 55 leitos de UTI no nosso Estado e 10 leitos clínicos. Estamos correndo na frente e deixando a nossa retaguarda de leitos pronta para que nenhum paraense que precise de um leito, seja pela Covid ou outra comorbidade, fique desassistido”. Os números que apontam o cenário da Covid-19 no Estado apontam o ápice dos registros em junho de 2020, seguido de quedas gradativas em julho, agosto, setembro, outubro e novembro.

No 26º dia de dezembro, porém, já se observa cerca de 400 casos a mais do que em novembro, ascendência que leva à necessidade de ações preventivas.

PARA ENTENDER

VACINA

Durante o pronunciamento, o Governador Helder Barbalho falou, ainda, que o Governo vem trabalhando no processo de oferta da vacina contra a Covid-19. “Estamos em diálogo com Instituto Butantan e outros laboratórios e a nossa previsão, dada pelo Ministério da Saúde, é de que possamos iniciar ainda em janeiro a nossa vacinação por fases e em grupos restritos. No nosso Estado só usaremos vacinas liberadas pela Anvisa que é o órgão regulador, no Brasil, da qualidade dos produtos de saúde. Tudo para garantir que haja eficácia no tratamento“, apontou. “Temos 3 milhões de seringas e agulhas em estoque. A Sespa já está preparada para o plano de vacinação”.

Tapajós e Xingu inspiram cuidados

De acordo com os estudos realizados pela equipe de pesquisadores, dentre eles os da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), tem-se observado uma tendência de aumento do número de casos, especialmente nas regiões do Tapajós e Xingu. “Ao ver a situação do Pará, é de tranquilidade uma vez que o número de leitos disponíveis é maior que a demanda, mas vemos que essa tranquilidade é maior na RMB”, explicou o reitor da Ufra, Marcel do Nascimento Botelho. “Diferente do restante do Estado, onde a tendência é de aumento dessa demanda, por isso se faz necessário dar um passo atrás para que não se chegue ao caos que tivemos no passado”.

Com isso, a partir do dia 26 de dezembro, as regiões do Tapajós e Xingu passam da bandeira amarela, que aponta risco intermediário, para a bandeira laranja, com risco médio. “Com base nos dados fizemos uma nova ordenação. Belém continua verde, devido à capacidade maior de leitos e adotamos o bandeiramento laranja no Tapajós e Xingu”, apontou o secretário Adler Silveira, que coordena o projeto Retoma Pará. As medidas decorrentes da mudança das bandeiras ainda serão detalhadas em decreto a ser publicado no Diário Oficial do Estado.

Sendo os equipamentos de segurança pública os responsáveis por se fazer cumprir os decretos existentes, o secretário de segurança pública e defesa social do Pará, Ualame Machado, apontou que o decreto trará algumas exigências a nível estadual. Ele reforçou, ainda, que alguns municípios mantêm decretos próprios e, nesses casos, prevalecerá sempre o decreto que aponte regras mais rígidas. “Em Salinópolis já há uma decisão judicial que proíbe eventos com mais de 150 pessoas, que é o bandeiramento amarelo, mas alguns estabelecimentos conseguiram liminar para que funcionassem com 50% da capacidade”, aponta. “Com a publicação do novo decreto na segunda-feira (28) é uma norma nova e que não foi atacada pelo judiciário. Final de ano fiscalizaremos a região como um todo, em especial Salinópolis, observado o que for estabelecido no decreto estadual”.

Segundo adiantou o Governador Helder Barbalho durante a coletiva, em regiões com bandeiramento amarelo, como é o caso de Salinópolis, as praias de Bragança e Algodoal, estamos limitando a 30% a ocupação de cada estabelecimento, ou até 150 pessoas. “Esperamos e desejamos que todos possam compreender”, reforçou o Governador. “Estamos com controle sobre o cenário, mas, preventivamente, ouvindo a ciência, se faz necessário fazer dessa forma para que, eventualmente, em janeiro não precisemos fazer medida mais drástica como estamos vendo em outros estados do Brasil e países em que já estão sendo decretados lockdowns”.

Diário Online

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