Operação Arco de Fogo já apreendeu 4,6 mil caminhões de madeira na Amazônia

Início da Operação Arco de Fogo, de contenção do desmatamento da Amazônia, perpetrada pela Polícia Federal, Força Nacional e Ibama para fiscalizar as madeireiras em Tailândia, no Pará, 26/02/2008 (Foto: Beto Barata/AE)
Início da Operação Arco de Fogo, de contenção do desmatamento da Amazônia, perpetrada pela Polícia Federal, Força Nacional e Ibama para fiscalizar as madeireiras em Tailândia, no Pará, 26/02/2008 (Foto: Beto Barata/AE)

O delegado da Polícia Federal Alcir Teixeira, comandante da Operação Arco de Fogo, disse nesta quinta-feira (24) que 93.936 metros cúbicos de madeira já foram apreendidos desde o começo da ação, deflagrada em março do ano passado para combater o desmatamento na Amazônia.

Segundo ele, os números mostram que o total de apreensões chega, em média, a 4.690 caminhões carregados de madeira, pois cada veículo transporta 20 metros cúbicos do produto. Já o Ibama diz ter apreendido mais de 100 mil metros quadrados, o que totaliza cerca de 200 mil metros cúbicos ou 10 mil caminhões de madeira.

De acordo com os dados apresentados pelo delegado, 198 pessoas envolvidas com o desmatamento foram presas nesse perído de um ano e meio e 214 inquéritos policiais foram instaurados para apurar crimes diversos, que vão desde práticas diretas contra o meio ambiente até falsidade ideológica, uso de documento falso e formação de quadrilha.

Desde então, segundo Alcir Teixeira, foram lavrados 520 termos circunstanciados, sendo que 921 fornos de carvão acabaram destruídos. Além disso, foram apreendidas 42 armas, 234 veículos e 55 moto-serras.

“Estamos trabalhando com inteligência, fazendo investigação em cima desses grupos organizados. Nesta semana, foram apreendidos 8.664 metros cúbicos de madeira em duas serrarias de Santarém (PA)”, contou o delegado. Segundo ele, a PF detectou inúmeros casos de criminosos que “esquentam notas fiscais frias e usam guias florestais falsos”.

Multas

A operação é realizada por 100 policiais federais nos estados do Pará, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso. O Ibama, que também tem atuado na área, com 1,2 mil agentes, aplicou desde o começo do ano R$ 1,6 bilhão em multas.

“Sempre tem um senador, um deputado federal, um prefeito fazendo pressão terrível, dizendo que estamos tentando acabar com a economia, nos pressionando, muitas vezes insultando”, acusou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sem citar nomes. “Estava muito mole. O crime estava compensando. Agora, com a atuação forte do governo, o crime está deixando de compensar”, acrescentou o ministro.

Levantamento

Nesta quinta-feira (24), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentou os dados referentes ao desmatamento da floresta amazônica no mês de agosto. O Inpe detectou desmatamento de 498,1 km², área equivale a um terço do município de São Paulo. Na comparação com o mês de agosto do ano passado, houve queda de 34% no total da área desmatada. Na comparação entre agosto e o mês anterior, julho, a redução do desmatamento chegou a 40%.

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Deste total, 301 km² foram registrados no Pará, 105 km² em Mato Grosso e 51 km² em Rondônia. Somado, o desmatamento nos outros estados da Amazônia não passou de 41 km². O bom tempo ajudou na observação via satélite, pois apenas 17% da região estava coberta por nuvens. “Há dois anos que não tínhamos um céu tão aberto como ocorreu em agosto”, disse Minc.

A expectativa do ministro para 2009 é de fechar o ano com o menor índice de desmatamento desde 1991. “Vamos ter o menor desmatamento. Um índice abaixo de 9 mil Km², o menor desde 1991, quando foi registrado 11.100 mil km². Agora, o menor ainda é muito grande e então eu não comemoro”, comparou.

 

G1

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