Moradores da Urucuré, zona rural de Acará, podem ser obrigados a deixarem terras onde vivem
Foto: Portal Tailândia

Após 14 anos, moradores da Urucuré, zona rural de Acará, podem ser obrigados a deixar as terras onde vivem, é que uma Ação de Reintegração de Posse, foi expedida pela Vara Agrária de Castanhal, para onde foi remetido o processo iniciado ainda em 2005, ano da ocupação da área.

De acordo com os agricultores, a história da invasão começou com a informação de que a área pertencia ao INCRA ou ao estado e não haveria documento de posse, por parte dos alegados donos.

O atual presidente da associação que representa a comunidade, Paulo Sérgio Teixeira, afirma que o ITERPA cadastrou os moradores.

Paulo Sérgio alega que os agricultores produzem ativamente nas terras. De acordo com o presidente da associação, a vila Urucuré e as vicinais que ficam no entorno, possuem mais de 3 mil pessoas.

A vila possui até uma escola mantida pelo município de Acará, que recebe os filhos dos agricultores. O local está sendo inclusive ampliado e uma quadra poliesportiva está sendo construída, um investimento de mais de trezentos mil reais.

É também no espaço da escola que se reúnem os moradores após receberem a intimação para comparecer no dia 13 de setembro, as 8h da manhã, na Câmara Municipal de Acará.

De acordo com o documento recebido, trata-se de uma “Audiência de mediação, visando o cumprimento voluntário da Sentença”, que ordena a reintegração de posse da área.

A possibilidade de possuir um pedaço de terra e nele poder produzir, é um sonho que para os ocupantes de terras da Urucuré, pode se tornar um pesadelo.

A maior parte dos agricultores que ali estão já adquiriram a área de terceiros, confiando no processo que corre no Instituto de Terras do Pará, o ITERPA, que fez o georreferenciamento dos lotes.

Nas imagens aéreas feitas na última semana, é possível observar a dimensão da vila Urucuré, e os cultivos da região.

Nós visitamos alguns produtores, e pudemos observar plantios de diversas culturas…

Fulano de Tal, é uma das pessoas que investiram tudo que tinham confiando no ITERPA.

Uma publicação no Diário Oficial do Estado, de 22 de dezembro de 2009, considera a área devoluta, arrecada, incorpora a área ao patrimônio fundiário do Estado do Pará, passando a mesma a ser denominada “Gleba Urucuré”, com mais de dezoito mil e oitocentos hectares.

Agora, os moradores da Urucuré que faz divisa com Tailândia, Tomé-Açu e Moju, e são tão visitados em períodos de eleição, buscam socorro de todos os lados.

A reportagem tentou entrar em contato com o ITERPA, mas ainda não obteve retorno.