Jederson Menezes Alves, réu do caso que ficou conhecido como o “Maníaco de Marituba”, foi condenado pouco mais de 30 anos de prisão. Na sentença proferida nesta segunda-feira (9), pelo juiz Iran Ferreira Sampaio, da 1ª Vara Criminal de Marituba, o réu deverá cumprir, ao todo, 30 anos, nove meses e cinco dias de reclusão em regime fechado, além de ter de pagar mais 514 dias-multa.

Ele foi julgado pelos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver contra Samara Duarte Mescouto, roubo majorado com concurso de pessoas contra Jennyfer Karen da Silva Martins e Jéssica Cristina da Silva Martins, além de crime de corrupção de menor contra o adolescente R.P.M, envolvido nas ações criminosas.

Janderson, de 20 anos, está preso preventivamente desde o dia 13 de janeiro deste ano, acusado de praticar crimes contra mulheres, na companhia do adolescente em Marituba. A sentença manteve a prisão preventiva do réu, por conta da gravidade dos crimes cometidos. O documento também aponta que o réu ainda responde a outros processos por roubo, o que indica a tendência a repetir a prática criminosa. O valor do dia-multa foi fixado em um trigésimo do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente atualizado. O pagamento da multa deverá ser feito em até 10 dias, a partir do trânsito em julgado da sentença.

Durante o julgamento, a defesa do réu pleiteou pela desclassificação do crime de latrocínio contra Samara Duarte Mescouto para roubo majorado pelo concurso de pessoas, bem como pela absolvição de Jederson dos crimes de roubo majorado contra as irmãs Jennyfer Karen da Silva Martins e Jéssica Cristina da Silva Martins, de corrupção de menores contra o adolescente R. P. M. e da ocultação do cadáver de Samara Duarte Mescouto. Em resposta, o magistrado argumentou que o conjunto das provas apresentadas demonstra de forma consistente a materialidade e a autoria do latrocínio.

“A subtração foi consumada e a violência empregada pelo acusado e pelo adolescente para assegurar a detenção da res furtiva ou a impunidade foi suficiente para causar a morte da vítima, não importando se esse resultado foi obtido a título de dolo ou culpa, restando, portanto, configurado o crime de latrocínio”, disse o magistrado no documento, acrescentando ainda que não é cabível a desclassificação do delito para o crime de homicídio, ante as provas que comprovam o fim patrimonial do delito praticado, além da jurisprudência que corrobora este entendimento.

Além disso, o juiz afirmou ser incabível a absolvição do acusado quanto aos crimes de roubo majorado contra as irmãs Jennyfer e Jéssica e pela ocultação de cadáver contra Samara Duarte. Em relação à tentativa de absolvição do crime de corrupção de menores, o magistrado esclareceu que a comprovação de que o acusado praticou os delitos acompanhado de menor configura o crime de corrupção de menores, independentemente de existência de prova da efetiva corrupção, haja vista a natureza formal do crime.

Jederson passou a morar em Marituba em janeiro deste ano, onde conheceu o adolescente de 17 anos envolvido nos crimes contra mulheres. No dia 9 de janeiro, Jederson e o adolescente planejaram o roubo de um aparelho celular. O menor de idade  seria responsável por localizar potenciais vítimas em uma rede social por meio de um perfil falso de uma pessoa do sexo feminino e Jederson esprestava sua bicicleta para o transporte das mulheres até os locais dos crimes.

Samara Duarte Mescouto

No mesmo dia em que a dupla planejou as ações criminosas, o adolescente entrou em contato com Samara Duarte Mescouto, que prestava serviços de cabeleleira. Por meio do perfil falso, o menor de idade disse que um sobrinho iria buscá-la no ponto de ônibus e levá-la até sua residência para realizar o serviço. A mulher foi para Marituba no dia 10 de janeiro, onde encontrou com o adolescente que a levou diretamente para a casa de Jederson. 

No local, Jederson roubou seu material de trabalho e a aplicou um golpe conhecido como mata-leão, causando sua morte por sufocamento. Com ajuda do adolescente, os criminosos jogaram o corpo em um terreno baldio, situado no conjunto Beija-Flor. O corpo da esteticista foi encontrado no dia 12 de janeiro, com sinais de violência sexual. 

A jovem era sobrinha de criação do deputado federal Eder Mauro, que auxiliou nas buscas pela jovem e captura dos suspeitos. Ela deixou três filhos pequenos, um deles, de colo, que ainda era amamentado pela mãe na época do crime.

As irmãs Jennyfer e Jéssica Martins

Também no dia 10 de janeiro, o adolescente voltou a abordar vítimas no Facebook, utilizando-se da mesma estratégia. A vítima desta vez foi Jennyfer Karen da Silva Martins. A mulher foi contratada como manicure e deveria aguardar o esposo da susposta cliente em um ponto de ônibus na BR-316. O encontro ocorreu no dia 11 de janeiro, quando a manicure foi ao local combinado acompanhada de sua irmã, Jéssica Cristina da Silva Martins. 

Na ocasião, o adolescente falou que somente poderia transportar uma de cada vez na bicicleta. Jennyfer seguiu com o adolescente, que a levou para uma área de mata onde a roubou e a agrediu. No local, ele a asfixiou. Horas mais tarde, Jennyfer foi encontrada desacordada, com sinais de estupro e espancamento. Ela foi socorrida e internada no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Após praticar o crime, o adolescente retornou para buscar Jéssica. A vítima subiu na bicicleta e em uma área de mata, o adolescente roubou seu dinheiro, um cordão, carteira, cartão bancário e um celular dela. Em seguida, violentou-a sexualmente. Depois do estupro, tentou sufocar a vítima, que travou luta corporal com o menor e fugiu pela mata.

O Liberal

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