O Ibama divulgou uma nota nesta quinta-feira, 3, para informar sobre a retirada do corpo do paraense coronel Mauro Tadeu da Silva, que demorou três dias para ser retirados das ferragens do helicóptero do Ibama que caiu no Pantanal, na última segunda-feira, 30.

Em nota, a instituição alegou que “a demora para retirar o corpo do comandante deu-se por conta de a aeronave ter caído em uma região lamacenta, o que dificultou o resgate”.

O corpo do comandante Oliveira, de 54 anos, ficou submerso em meio às ferragens do helicóptero do Ibama, por três dias. Vale lembrar que a aeronave caiu enquanto fazia uma manobra para retirar água na região do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Porto Jofre (MT), para apagar focos de incêndios criminosos.

Uma aeronave da Aeronáutica chamada Black Hawk (Falcão Negro), que carrega até quatro toneladas irá fazer a retirada do helicóptero do Ibama, que pesa 1.200 quilos.

Segundo o Ibama, foi resultado de uma “força-tarefa” que envolveu o Centro de Operações Aéreas (Coaer) do Ibama, a Aeronáutica, a Helisul Táxi Aéreo, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) do Mato Grosso e o Corpo de Bombeiros. As causas do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigações da Aeronáutica (Cenipa).

O comandante era funcionário da empresa contratada para prestar serviços de helicóptero ao Ibama. Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, e era piloto desde 2005, com mais de 5 mil horas de voos e deixou mulher e dois filhos.

O Ibama não possui helicópteros próprios. A aeronave trata-se de equipamentos alugados. Neste último trimestre do ano, o órgão vinha atrasando uma série de pagamentos à empresa prestadora do serviço. As contas em aberto com helicópteros chegavam a R$ 5 milhões, em outubro.

Já em agosto, o Ibama resolveu reduzir o número de helicópteros que alugava para vigiar o desmatamento e as queimadas no Pantanal e Amazônia. Por determinação do Ministério do Meio Ambiente para diminuir gastos, o órgão passou a contar com quatro aeronaves para auxiliar na vigilância de uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados. Contabilizando até o momento seis aeronaves. Os helicópteros são utilizados para fiscalizar todo o País.

Em época de seca, quando os incêndios proliferam na região Norte, as horas de voo dos equipamentos aumentam significativamente. Servidores que atuam no setor afirmaram à reportagem que os equipamentos operam no limite, dadas as limitações das máquinas.

Em agosto, o responsável pelo setor alertou que as reduções trariam consequências graves para o trabalho de fiscalização, mas foi exonerado uma semana depois de encaminhar uma série de ofícios nesse sentido. Sob o argumento de que é preciso reduzir os gastos, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, determinou ao Ibama que fizesse mais cortes, limitando o aluguel a somente quatro aeronaves porque o orçamento dos helicópteros não pode ultrapassar o custo anual de R$ 60 milhões.

Com o número atual de seis helicópteros, cada um já tinha a missão de fiscalizar cerca de 833 mil km², mais de três vezes o Estado de São Paulo. Com quatro aeronaves, esse volume sobe para 1,25 milhão de km². É como se um único helicóptero fosse usado para sobrevoar todo o Estado do Pará. O contrato atual, de seis aeronaves, vence em fevereiro do ano que vem.

O Ministério do Meio Ambiente já tem aprovada uma ação dentro do Fundo Amazônia, programa mantido pela Noruega e Alemanha, voltada justamente para pagar contas com aeronaves e caminhonetes. Há mais de R$ 63 milhões de recursos a fundo perdido, que já poderia ter sido utilizado pelo Ibama, bastando-se que seja acionado junto ao BNDES, que é o gestor do dinheiro.

Com informações do Portal Estadão

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