A morte de uma escrivã da Polícia Civil do Pará, com sintomas de Covid-19, na porta de um hospital na noite do último sábado, 18, em Belém, chamou atenção para um sinal de alerta que já vem soando há tempos. Com 1.026 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus o sistema de saúde paraense entrou em colapso.
Os 125 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da rede municipal e os 104 da rede estadual destinados a pacientes graves infectados pelo vírus já se encontram ocupados. O recém inaugurado Hospital de Campanha de Belém, que desde o dia 10 de abril ocupa a estrutura do Hangar, e poderia se tornar alternativa para pacientes como a escrivã Raquel Albuquerque, se transformou em um verdadeiro elefante branco, já que nenhum dos seus 420 leitos conta com respiradores necessários para salvar a vida de pacientes mais graves.
Em uma estratégia errada da equipe de saúde do governador Hélder Barbalho (MDB), o hospital de campanha foi projetado sem leitos de UTI, apenas para receber pacientes com sintomas leves ou moderados da covid-19. Sendo que os próprios órgãos de saúde recomendam que tais pacientes sejam tratados em casa, em isolamento para evitar o contágio de outras pessoas.
Apelo de médica infectologista de Belém
No mesmo final de semana em que Raquel morreu, a médica infectologista de Belém, Rita Medeiros, fazia um apelo em suas redes sociais sobre a necessidade urgente de novos leitos de UTI. E também chamou atenção para o grande número de profissionais de saúde infectados. Segundo o estado, eles correspondem a 42% do total de casos até o momento.
Compra de respiradores
Somente um dia após o apelo da médica e mais de uma semana após a inauguração do hospital de campanha, que permanecia com os leitos vazios já que nesse momento se faz urgente a necessidade de UTI's, o governo do estado – sem admitir o erro estratégico – anunciou mudança na utilização do hospital, com a transformação de seus leitos em leitos de UTI. Isso, no entanto, ainda vai levar um tempo que muitos pacientes – entre a vida e a morte – não terão como esperar. Os respiradores, diz o governador, foram comprados na China e só devem começar a chegar no estado a partir da semana que vem. Até lá, novos desabafos como o feito pela médica Rita Medeiros no domingo, 19, devem continuar surgindo.
Por Roma News
