Foto: Ary Souza / Redação Integrada

o ponto de venda de comidas típicas, situado na travessa Lomas Valentinas, no bairro da Pedreira, a proprietária Tatiany Nascimento, 23 anos, utiliza, semanalmente, pelo menos três botijões de gás de cozinha de 13 kg para manter os alimentos aquecidos. Atualmente, ela compra o produto, que é essencial para a sua atividade, a R$ 76,00, o que gera um gasto mensal de mais de R$ 900,00.

Mas as despesas não param por aí. Tatiany explica que outros integrantes de sua família também atuam na mesma atividade. Juntos, eles possuem oito pontos de venda espalhados pela capital. E, com isso, a família consome em torno de 25 unidades de botijões semanalmente, para fazer o preparo das comidas em casa. “A gente faz as comidas, então usamos uma média de 25 unidades por semana. Pagava R$ 50 (unidade do gás) no começo do ano, depois foi aumentando e agora chegou a R$ 76. É para cozinhar tucupi, jambu, fazer todas as comidas e ainda utilizar em casa”, explicou.

Com base em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Pará) apontou que houve uma pequena redução, de 0,21%, no valor do gás comercializado em novembro. No Pará, em outubro deste ano, o produto custava, em média, R$ 75,62, sendo o menor preço encontrado a R$ 66,00 e o maior a R$ 100,00. No mês passado, custou R$ 75,46, valor menor de R$ 65,00 e o maior a R$ 100,00.

De acordo com o levantamento, o gás paraense é o sexto mais caro entre os estados da Região Norte e o sétimo mais elevado em todo o País. Dentre os municípios paraenses, Xinguara foi a cidade que comercializou o produto mais caro em novembro, com o preço médio de R$ 92,00. Já em Belém, o produto era encontrado, em média, a R$ 69,44, com os preços variando entreR$ 68,00 a R$ 82,00.

DEFASAGEM

Para o presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do Estado do Pará (Sergap), Francinaldo Oliveira, o preço do produto está defasado no Pará em função do grande número de revendedores informais. “Eles não usam veículos apropriados para fazer as entregas, não cumprem a legislação trabalhista e não pagam regularmente os seus tributos. É uma situação que o Sergap denuncia desde 2002, sem que a ANP e os demais órgãos competentes façam algo para evitar”, criticou.

Para além da questão da revenda informal, Oliveira diz ainda que o valor calculado pela pesquisa da ANP, que coloca o gás paraense como um dos mais caros do País, não leva em consideração a extensão geográfica do Estado e a distância dos municípios paraenses da capital, onde fica situada a base distribuidora de gás. “É uma situação totalmente diferente, comparando com estados de menor extensão. Se o Pará fosse somente a Região Metropolitana, teria o quarto ou quinto gás mais barato do Brasil”, ressaltou ele, ao acrescentar que, se houver novos reajustes, o preço deve elevar ainda mais para o consumidor.

Em Belém, DIÁRIO encontrou venda por até R$ 80

O DIÁRIO verificou os preços do gás comercializado em três pontos diferentes de revendas e bandeiras, em Belém. Em um ponto bandeira Ultragaz situado na rua Curuçá com a Soares Carneiro, bairro do Umarizal, na portaria o produto custa R$ 68 e na entrega fica R$ 72. Em outro, de bandeira Liquigás, situado na travessa Angustura com a Antônio Everdosa, no bairro da Pedreira, custa R$ 72 e entrega a R$ 76.

Já em um ponto localizado na Avenida Pedro Miranda com a Alcindo Cacela, também na Pedreira, o produto é comercializado na porta a R$ 75 e entrega a R$ 80. Proprietária do estabelecimento, a comerciante Conceição de Fátima Lima, 50, afirma que, além dos reajustes repassados pelas refinarias, também são repassados os aumentos das empresas para os revendedores.

“Tem outras bandeiras que vendem com preço menor e não sei como conseguem. Tenho funcionários com carteira assinada, tem as despesas. Pagamos muitos impostos pelos produtos. E temos ainda que tirar nota, gastar com impressora, cartucho e internet. Se for colocar tudo na ponta do lápis, vou trabalhar só para pagar as despesas”, pontuou Conceição, acrescentando que não há como reduzir mais o valor. “Se eu espremer mais vou fechar as minhas portas. Ainda não fechei porque também vendo água”, disse.

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