Manter os alunos com uma rotina básica de estudos tem sido um grande desafio para as escolas da rede estadual de ensino, desde a suspensão das aulas presenciais, em 18 de março. Tudo isso ocorreu por conta da pandemia do novo coronavírus. Quatro meses depois, diretores, professores e alunos avaliam as diversas alternativas encontradas para amenizar o efeito da pandemia na educação pública estadual.

A garantia da alimentação escolar, a formação dos professores e as estratégias pedagógicas desenvolvidas neste período compõem o movimento ‘Todos em Casa pela Educação', criado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) para garantir ao aluno o direito mínimo à aprendizagem mesmo no isolamento social. 

O uso da tecnologia e da criatividade têm sido o principal desafio para a maioria dos profissionais da educação na busca pela aproximação com os alunos. Segundo a titular da Seduc, Elieth de Fátima Braga, o movimento foi a forma encontrada para dar continuidade ao processo de aprendizagem do alunado, pautado na utilização de ferramentas digitais e atividades offline.

“Visando dinamizar o trabalho pedagógico do corpo docente, a Seduc proporcionou vários cursos de formação, entre eles o curso de utilização de ferramentas digitais em sala de aula, além de tantas outras iniciativas. Com isso, reiteramos o compromisso do governo do Estado de ofertar a todos a qualidade na educação, independentemente do momento que estamos vivendo”, afirma.

A primeira ação do movimento foi a transmissão das videoaulas pela TV Cultura, uma opção aos estudantes e um desafio aos professores que tiveram de se reinventar com o auxílio da tecnologia. “É emocionante atuar nesse projeto, o governo democratizou o acesso, possibilitando aula de qualidade, inclusive a alunos das áreas mais distantes. Sou de uma área rural, em Óbidos, e sei o quanto é difícil levar educação para essas regiões”, diz o professor de Biologia, Clebis Sombra, um dos muitos professores que aceitaram compor a equipe que transmite as videoaulas pelos estúdios do Sistema Educacional Interativo (SEI), desde o dia 30 de março. 

“É uma forma inovadora de aprendizado que tem me ajudado bastante a estudar durante toda essa quarentena, sinceramente eu estou gostando muito”, garante Rian Filho, aluno do 9° do Ensino Fundamental da Escola Nuremberg Borja de Brito, no bairro da Terra Firme, em Belém.

Para Casa e SeduCast 

As videoaulas são auxiliadas pelo “Para Casa”, link acessado no site da Seduc com as atividades semanais para alunos a partir do 4º ano do Ensino Fundamental. Outra ferramenta criada, o SeduCast Pará, já alcançou a marca de 1.639 acessos. Os áudios contêm atividades pedagógicas que permitem a atualização do conhecimento do aluno e discussão sobre temas variados.

Quem acompanha semanalmente os podcasts com as dicas é a aluna Isis Gabrielle Farias, do 3º ano, da Escola Visconde de Souza Franco. A jovem de 18 anos afirma que as explicações dos professores fazem ela relembrar do conteúdo ministrado em sala de aula. “Os professores sempre dão dicas e indicam seus canais, as vezes eles relembram temas de algumas matérias. Sempre puxo pra fazer uma revisão”, explica a estudante. 

Compêndios e atividades estruturantes

A Seduc passou a disponibilizar cadernos de atividades online e impressas para crianças e jovens. As equipes técnicas da Seduc e das escolas produzem o material e repassam aos alunos. Com a ajuda dos professores e das famílias, as atividades pedagógicas são entregues aos estudantes e depois devolvidas para avaliação da aprendizagem. “Nós, professores, tivemos de fazer um redirecionamento, esses cadernos visam contemplar as atividades do calendário escolar e preparar os alunos para a prova de avaliação”, explica a professora Josilma Barbosa.

A comunidade escolar abraçou as atividades. “Fazer parte da história dessa criança é maravilhoso, está sendo um desafio, mas ouvir as respostas dos alunos é muito gratificante”, afirma a professora Shyley dos Santos.

Edvanici Sousa, mãe da aluna Maria Pimentel, do 4º ano, diz que com a suspensão das aulas, ficava preocupada com o distanciamento da filha com os estudos. “Essa iniciativa da escola faz com que a minha filha não fique atrasada nos estudos”, comenta.

Por Agência Pará

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