Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 50 milhões de brasileiros sofrem algum tipo de distúrbio da visão. Deste número, 60% dos casos são deficiência visual e cegueira, tendo como principais causas, a catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade.

O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém (PA), é referência estadual no atendimento de Oftalmologia geral em Pessoas com Deficiência (PcD). Para ter acesso ao serviço, os usuários são encaminhados por seus municípios de origem, via Sistema de Regulação (SISREG).

A equipe multidisciplinar responsável pelo atendimento da demanda encaminhada de todo o Estado do Pará para o serviço de Oftalmologia do CIIR é composta por médico oftalmologista clínico, oftalmologista especialista em Baixa Visão, assistente Social, fisioterapeuta e psicólogo.

Segundo o oftalmologista do Centro de Reabilitação, Igor Parente, o serviço de Oftalmologia Geral do CIIR funciona como uma retaguarda dos demais serviços disponíveis na Instituição.

“No CIIR atendemos a demanda de municípios paraenses, fornecendo assessoria oftalmológica para as demais especialidades. Atendemos pacientes com doenças genéticas ou cromossomiais, encaminhados pelos colegas especialistas, para avaliação de co-participação nas síndromes atendidas pelo CIIR, para avaliarmos se essas síndromes apresentam alguma repercussão oftalmológica”, destaca.

Conforme o oftalmologista, o CIIR, na sua essência do quesito oftalmológico, presta assistência oftalmológica a pacientes com baixa visão. “Para que haja o referenciamento para esse tipo específico de atendimento, o paciente precisa ser consultado previamente por um oftalmologista geral no próprio CIIR, e se a visão estiver abaixo de um determinado valor, esse paciente é encaminhado para o Serviço de Baixa Visão, que também compreende o serviço ofertado pela Oftalmologia do Centro”, informa.

Além do atendimento interno, o serviço de Oftalmologia do CIIR é referência no atendimento à demanda de oftalmologia geral de todo o Estado do Pará, e atende pacientes encaminhados para o tratamento de catarata, pterígio, e que precisam de refração, para confecção do grau para uso de óculos.

Entre os usuários deste serviço atendidos pelo CIIR, está o autônomo William Cardoso dos Santos, 46 anos. Usuário do CIIR desde 2019, ele chegou ao centro através da regulação estadual, para obter tratamento e uma prótese para a perna esquerda. No entanto, enquanto aguardava sua prótese, fez todo o acompanhamento multiprofissional e, durante uma consulta, com o oftalmologista, foi constatado o início de um glaucoma. Desde então, periodicamente, o autônomo retorna para consultas e acompanhamento do quadro.
“Sou sempre muito bem tratado por todos, quando venho aqui, principalmente pelo excelente médico que me atende, o Dr. Igor”, reconhece o paciente.

No caso de usuários referenciados para Serviço de Baixa Visão, o oftalmologista especialista faz avaliação e verificação de necessidade de reabilitação.

Reabilitação visual- No Centro, os usuários que fazem reabilitação visual são atendidos por uma equipe multiprofissional básica para casos de baixa visão, composta por fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, pedagoga, educador físico e psicólogo, com indicação do oftalmologista.

O fluxograma do atendimento para reabilitação visual, ocorre, primeiramente, com uma consulta com oftalmologista clínico, com posterior encaminhamento para médico especialista de baixa visão, que faz a avaliação específica e a verificação da necessidade de reabilitação, sendo elegíveis para o atendimento em reabilitação/habilitação visual os indivíduos com deficiência visual (baixa visão e cegueira, classes que correspondem a deficiência visual binocular, incluindo usuários de todas as faixas etárias (crianças, adultos e idosos) com deficiência visual.

De acordo com a fisioterapeuta do CIIR, Marianne Viana, caso o usuário se enquadre nos critérios de elegibilidade, é encaminhado para a avaliação global visual realizada pela equipe multiprofissional, sendo avaliado por área, as habilidades que deverão ser trabalhadas conforme demandas apresentadas pelo usuário e/ou responsável.

A partir disso, o paciente é encaminhado para a reabilitação de acordo com a necessidade individual de cada um, para as terapias específicas da reabilitação visual, seja ela a estimulação visual, treino de auxílios ópticos ou treino de orientação e mobilidade.

No caso da estimulação visual, é realizada pelo profissional fisioterapeuta, onde primeiramente faz a avaliação funcional da criança, para traçar a conduta do usuário na reabilitação.

“A estimulação visual favorece o desenvolvimento visual global, visando estimular as funções visuais básicas, viso motoras e viso perceptivas. Sendo assim, a reabilitação visual tem como objetivo promover uma melhor qualidade de vida e autonomia ao usuário com deficiência visual”, ressalta a fisioterapeuta.

No atendimento relacionado ao treino de Orientação e Mobilidade envolve alguns profissionais, entre eles, o educador físico, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional.

O educador físico verifica as necessita de trabalhar as habilidades habilidades como força, equilíbrio, flexibilidade, concentração, velocidade, resistência e orientação espacial, para que inicie as técnicas de guia vidente, autoproteções e bengala longa, estas realizadas pelo fisioterapeuta.

Já o terapeuta ocupacional realiza o treino de atividades de vida diária e atividades de vida instrumental de vida diária associada as técnicas de orientação e mobilidade, caso o usuário necessite trabalhar essas habilidades.

Após o usuário finalizar o seu treino e caso necessite da bengala longa, essa é dispensada ao centro pelo usuário.

Mariane explica ainda que o profissional da área da psicopedagogia é o responsável pelo treino de auxílios ópticos e não ópticos, que atua na reabilitação do usuário, com objetivo de treiná-lo quanto ao manuseio correto dos recursos, tais como, lupas telelupas, óculos prismáticos entre outros.

Após o treino, se o usuário estiver apto ao manuseio, este retorna com a oftalmologista de baixa visão que prescreve o auxílio e este também é dispensado pelo centro.

Dentro dessa assistência, a gestão do CIIR passou a ofertar ofertar auxílio óptico, no início deste ano (2020). O tratamento de reabilitação é voltado para pacientes de baixa visão ou cegueira. Além disso, todos os usuários que realizam as terapias descritas, fazem acompanhamento com a psicologia.

Nesta sexta-feira, 10, Dia da Saúde Ocular, a equipe multiprofissional tem a finalidade de alertar a população e os profissionais de saúde para a importância da prevenção e do diagnóstico de doenças oculares que, se não tratadas, podem levar à perda da visão.

Sobre o Dia da Saúde Ocular, Dr.Igor Parente reforça a necessidade da população estar atenta aos cuidados com a saúde dos olhos.
“Como se sabe, o dia 10 de julho é o Dia da Saúde Ocular. Esse dia é extremamente importante para levantar a bandeira da saúde dos olhos. Sabemos que existem milhões de pessoas no mundo, que são cegas ou portadoras de doenças oftalmológicas que levam à cegueira”.

O médico destaca as doenças mais comuns, entre elas, a catarata, seguida de glaucoma, que é precedida de diabetes, por meio da retinopatia diabética.

Essas três principais doenças oftalmológicas que acometem a população mundial.
“Então é importante para a população em geral, e para os profissionais de saúde, lembrarem o quanto é essencial os cuidados com saúde para prevenção de uma boa saúde ocular Para, indico consultas rotineiras e proteção com óculos escuros no verão, além de proteção contra raios UVA e UVB”, orienta.

Atendimento- Os usuários podem ter acesso aos serviços por meio de encaminhamento das Unidades de Saúde, acolhido pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminhará à regulação Estadual, onde o pedido será analisado conforme perfil do usuário, através do Sistema de Regulação -SISREG.

É importante ressaltar que não há atendimento espontâneo ou qualquer tipo de inscrição ou cadastramento no CIIR.

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