De acordo com o Imazon, uma área equivalente a 406 mil campos de futebol do tamanho do Maracanã foi destruída. (Imagem TV Globo)
De acordo com o Imazon, uma área equivalente a 406 mil campos de futebol do tamanho do Maracanã foi destruída. (Imagem TV Globo)
De acordo com o Imazon, uma área equivalente a 406 mil campos de futebol do tamanho do Maracanã foi destruída. (Imagem TV Globo)

O Ministério do Meio Ambiente contestou os dados sobre o aumento do desmatamento da Amazônia divulgados pela ONG paraense Imazon no final de dezembro de 2014, quando o instituto apontou um aumento de mais de 400% no desflorestamento da região. De acordo com os dados oficiais, houve uma queda de 18% no desmate da Amazônia entre agosto de 2013 e julho de 2014 em relação ao período anterior, de acordo com o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém, divulgou no último dia 27 de de dezembro um levantamento não-oficial que indica o aumento de 427% no desmatamento da Amazônia Legal em novembro de 2014, comparado com o mesmo mês do ano anterior. De acordo com o Imazon, o governo federal utiliza metodologias diferentes e faz monitoramento anual, enquanto o instituto conduz levantamentos mensais – o aumento seria relacionado apenas ao mês de novembro.

De acordo com o Imazon, uma área equivalente a 406 mil campos de futebol do tamanho do Maracanã foi destruída. Grande parte deste desmatamento ocorreu no primeiro semestre de 2014, quando 843 mil quilômetros quadrados foram cortados só no mês de junho – comparando com uma capital do Brasil, é como se a área ocupada pelas árvores destruídas pelo desmatamento neste mês tivesse tamanho da cidade de São Luís, no Maranhão.

Segundo o Imazon, além do desmatamento também ocorreu um aumento das áreas degradadas, que são locais onde não houve corte total de árvores, mas a floresta ficou parcialmente destruída: em novembro de 2014 foram 86 quilômetros quadrados, contra apenas 9 km² no mesmo período de 2013 – um aumento de 855%.

Campeões do desmatamento

Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA) (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
Agentes do Ibama inspecionam madeira ilegal apreendida na reserva indígena do Alto Guama, em Nova Esperança do Piriá (PA) (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

De acordo com a ONG Imazon, o Pará foi responsável por 70% do desmatamento medido pelo instituto. Em segundo lugar está o Mato Grosso, com apenas 18%. Um dos motivos apontados pelos especialistas para a liderança do Pará neste ranking da destruição ambiental são as obras de infra-estrutura e a construção de usinas hidrelétricas, que contribuem para a derrubada da floresta através da especulação de terras.

“Estas obras de infra-estrutura estão sendo implementadas na região e tem atraído um volumento muito grande de pessoas para cá, então isto acaba favorecendo a ação de grileiros que tentam tomar posse através do desmatamento de novas áreas para tentar regularizar e vender estas áreas”, pondera o pesquisador do Imazon Antônio Fonseca.

De acordo com o governo do Pará, o estado combate o desmatamento publicando uma lista com áreas embargadas para criar uma restrição de financiamento destas áreas e impédir a regularização fundiária de terras griladas.

Cobertura de nuvens
O que preocupa os pesquisadores é que o monitoramento do desmatamento da Amazônia está sujeito a visibilidade, já que a constatação de áreas desmatadas depende da ausência de cobertura de nuvens que impedem a visualização da cobertura vegetal por satélite. Por isso os dois levantamentos são estimativas do que acontece na região durante os respectivos períodos estudados pelo Inpe e pela ONG paraense, e o desmatamento em solo pode ser ainda maior do que aquilo que é visto do alto.

 

(G1 PA)

 

 

 

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