(Foto: Bruno Carachesti/Arquivo)
(Foto: Bruno Carachesti/Arquivo)
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A Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgada ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostra dados preocupantes sobre o aprendizado de alunos de escolas públicas paraenses. O Pará está entre os cinco piores resultados da avaliação no País nos quesitos leitura (5º pior), escrita (3º pior) e matemática (2º pior).

Isso significa que, ao menos um a cada cinco estudantes no 3º ano do ensino fundamental da escola pública não atinge níveis mínimos de aprendizado. Os resultados da ANA são divulgados em percentuais por nível de proficiência (o quanto os alunos sabem). Analisando apenas o nível 1 – o mais baixo entre os cinco avaliados, a situação do Pará é dramática.

Enquanto a média geral do Brasil em leitura no nível 1 é de 22%, no Pará alcança 42,45%. Isso significa que, estes alunos das escolas paraenses estão no nível no qual conseguem ler palavras, mas não compreendem o texto. Quem mais puxa este índice para baixo são alunos das escolas públicas estaduais rurais, que atingiram a impressionante média de 60% no quesito leitura. A pior avaliação é do Maranhão, com 44,30%. Segundo o ministro da Educação, Renato Janine, o único nível inadequado no quesito leitura é o 1. “Os níveis 2, 3 e 4 são adequados”, informou o ministro. Na avaliação da escrita a distância é maior. Apenas 3% dos estudantes paraenses alcançaram o melhor nível da avaliação (nível 5). Ao todo 54% dos alunos das escolas públicas do Pará ficaram entre os piores níveis (1 e 2).

Para alcançar o melhor nível de avaliação na escrita os estudantes precisam ter capacidade de escrever palavras com diferentes estruturas silábicas e um texto corretamente e com coerência. O contrário, o nível 1 (24% no Pará), mostra que os estudantes não conseguiram escrever, deixaram em branco ou tentaram imitar a escrita com desenhos. A média do Brasil foi de 34,46% de alunos nos níveis 1, 2 e 3 de escrita.

MATEMÁTICA

Na matemática o resultado também é dramático: enquanto no Brasil, em média, 57,07% de alunos estão nos níveis 1 e 2, no Pará este total chega a 81,43%, sendo 44,43% no nível 1 e 37% no nível 2. Esse grupo é capaz, por exemplo, de ler horas e minutos em relógio digital, ou resolver problemas com números até 20, mas tem dificuldade em entender um relógio analógico ou solucionar questões com números superiores a 20.

Em matemática, 22 estados têm mais da metade de seus alunos em níveis inadequados de aprendizagem- os piores indicadores são de Amapá (82,86% dos alunos) e Pará (81,43%). As regiões Norte e Nordeste apresentam os piores resultados: 74,89% e 74,08%, respectivamente.

AVALIAÇÃO NO BRASIL

Esta é a segunda vez que o exame é aplicado nacionalmente. Os dados da avaliação anterior foram divulgados apenas para as escolas. O gerente de conteúdo do movimento Todos Pela Educação, Ricardo Falzetta, disse à Agência Brasil, após a divulgação dos dados, que, apesar dos números preocupantes das regiões Norte e Nordeste, quando analisados os estados, é possível notar bons resultados. Segundo ele, a análise de cada região mostra bons caminhos no Ceará e no Acre.

Foram avaliados pela ANA, em novembro do ano passado, 2.456.132 estudantes do terceiro ano do ensino fundamental.

 

 

Luiza Mello/Diário do Pará

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