Há décadas o discurso é o mesmo: mudança. Embora seja clichê, muitos assumem a responsabilidade em depositar votos de confiança em quem consegue segurar a potencialidade discursiva até sentar na cadeira presidencial. Após isso, percebem que o sistema é feito para proteger os mantenedores deste, que nesse caso não é o povo, mas uma parcela privilegiada de indumentaristas sugadores de dinheiro público e seus apadrinhados. As críticas surgem como reflexo do descontentamento popular, uma vez que o cenário perspectivado tornou-se repentinamente ilusório em meio às perdas de direitos garantidos.

A renovação prevista nas falas carregadas de otimismo na época eleitoreira esbarra nos interesses maquiavélicos ao qual a democracia brasileira paira, historicamente. Tudo é negociado e, quando possível, renegociado para que “beneficie” o povo, de fato. O sistema partidarista vigente no país visa o benefício em si mesmo, somente após isto é que o povo aparece como figura central das discussões e decisões, bem diferente do discurso outrora sustentado em palanques e púlpitos. Os poderes buscam o desenvolvimento com base no objetivo meio (classe política), não no desígnio (povo). Afinal, advogam sobre equilíbrio financeiro (ou crise) para setores pontuais da sociedade, como educação (por que será?), mas liberam verbas em emendas parlamentares (sem pestanejar) na iminência de uma votação de interesse governamental (sabedores de que os valores não chegarão totalmente onde deveriam), a título de exemplo.

Parece conveniente dizer, então, que se o presente repete o passado, ser cidadão brasileiro (que não seja da equipe de governo ou empresário) é viver permanentemente na sombra dos recursos financeiros produzidos pelos trabalhadores, geradores de subsídios para que as administrações invistam em melhorias sociais, culturais e ambientais, equitativamente.
E o que é pior, fechar os olhos diante desse cenário friamente montado em que nos encontramos é sucumbir às migalhas oferecidas pela oligarquia parlamentarista que controla o Brasil. Somente o povo é o meio e o fim das decisões, implementações e complementações gerenciadas pelas governanças, destoantes disso, não há omissão que os salvem da temporalidade histórica.

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