Sua essência é liberta? Por Mizael Carvalho

A liberdade pressupõe a independência autônoma e espontânea do ser humano. É o direito de agir segundo o livre arbítrio, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique o próximo. Um conceito utópico, uma vez que é questionável se realmente o indivíduo possui tal condição ou se apenas compactua com uma ilusória perspectiva libertária.

Partindo da conceituação filosófica, liberdade seria o conjunto de direitos de cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do país em que reside; é o poder que qualquer cidadão tem de exercer sua vontade dentro dos limites da lei. Kant reforça essa definição quando discorre sobre o sujeito implementar suas próprias regras, devendo segui-las racionalmente. Entretanto, essa liberdade só ocorre realmente, através do conhecimento das leis morais e não apenas pela oportuna vontade da pessoa.

Sartre e Marx revigoram esse sentido de liberdade como sendo uma condição de vida do ser humano; o princípio do homem é ser livre – por si mesmo, independente dos fatores do mundo, das coisas que ocorrem – para fazer o que tiver vontade. Nessa visão, seria uma prática ligada diretamente aos bens materiais, de convenientes interesses. Mas, estritamente, embrulhado por senso ético, uma vez que uma pessoa tem todo o direito de liberdade, desde que as atitudes decorrentes dessa premissa não desrespeite ou desprivilegie a face do outro, ignorando princípios legais de convivência.

Além disso, é preciso considerar os aspectos sociológicos, tecnológicos e culturais de interação dos indivíduos no meio em que vivem. Embora o sentido de liberdade sugira a livre escolha, são muitos os fatores que corroboram para uma “prisão” excêntrica e cômoda dos sujeitos. A impossibilidade do questionamento e da autocrítica aliada ao sufocante poder opressor, acaba por imprimir uma visão utópica de liberdade, deixando apenas o pensamento de existência deste benefício e não sua essência. Dentre as muitas liberdades conceituadas, talvez a condicional seja a mais convergente com o cenário vivenciado nas últimas décadas, mesmo sendo conhecida apenas no âmbito jurídico.

Dessa forma, liberdade é saber a posição adequada e o momento certo de agir em conformidade com suas regras, mas também e conjuntamente às legalidades impositivas do meio convivente. A capacidade que cada sujeito livre possui para questionar é decorrente da provocação da autonomia e espontaneidade desenvolvida ao longo da formação enquanto cidadão, os desprovidos dessa virtude acabam por compartilhar a utopia do ser liberto.

Assine o Portal

Receba as últimas notícias de Tailândia e região.

Você pode gostar de ver