A revolução tecnológica diversificou a maneira de interação entre as pessoas, possibilitando a comunicação dinâmica, diminuindo distâncias e rompendo barreiras. Porém, ao mesmo tempo em que potencializou as práticas relacionais virtualizadas, corroborou com o aprisionamento subjetivo dos sujeitos, numa “caixinha” particular e restrita, onde o enlace típico do discurso construtivo da sociedade entre o “eu” e o “outro” torna-se, essencialmente, informatizado.

É notório que a tecnologia contribuiu para a otimização dos meios de informação e comunicação, possibilitando a diversidade na divulgação de serviços a qualquer parte do globo. Dentre esses, a interatividade entre as pessoas através de mensagens instantâneas em diferentes mídias e plataformas que permitem o contato, acionados por teclados.

Todos os dias, se possível, uma gama de ferramentas de entretenimento é exigida e apresentada à comunidade de navegadores assíduos por novidades, aprimorando cada vez mais a interatividade virtual para agradar um público faminto por recursos midiáticos de última geração, glorificando a relação à palma das mãos e preterindo a presencial.

No entanto, embora a hegemonia tecnológica carregue contribuições indispensáveis ao desenvolvimento científico, é no social que se observa – poucos percebem – os maiores prejuízos dessa indústria cultural de aparatos robotizados mediados pelas TIC’s, principalmente no que concerne às redes sociais.

Ao mesmo tempo em que diminuiu a distância interacional, tornou-se longínqua a comunicação proximal; cada um vive em sua “caixinha” particular, restringindo-se à própria subjetividade e subordinação computacional; o discurso em tela substitui a sólida relação do “eu” com o “outro”, processo este que desempenha um papel crucial na concepção dos sujeitos.

Um enlace desvirtuado, portanto, agora bem mais de caráter bidirecional sujeito-tecnologia aflora de forma assombrosa na contemporaneidade, onde são criadas novas relações e alinhamento dentro e entre as esferas da família, da escola, dos negócios e da ciência, alterando, consequentemente, nossas identidades. O aceite tecnológico apresenta um sujeito desamparado, carente de referenciais do passado em meio à avidez pelo novo, pelo atual. E o desarrimo humano crescente é o preço que temos de pagar pela aposta feita no projeto da modernidade.


Mizael Carvalho – Mestrando em Educação em Ciências e Matemáticas – IEMCI – UFPA

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