Desde a crucificação de Cristo, no ano trinta e três (d.c), ocorre a troca de lados – opostos – por uma soma de trinta moedas ou um pouco mais do que isso, para trair seus mestres ou irmãos. Despreza-se amigos, família, categoria, grupo, princípios e convicções em detrimento do egocentrismo em “salvar sua pele”. Fortalecendo algozes e enfraquecendo toda coletividade que já é desarticulada pelo poder opressivo da burguesia assoberbada, que não cansa de subjugar os verdadeiros produtores do capital e dos saberes circulantes na sociedade.

O Evangelho apresenta o nome de Judas como sinônimo de traição. Embora, para muitas releituras recentes, o discípulo que traiu Jesus por trinta moedas e o conferiu às autoridades do Templo de Jerusalém seria o aprendiz predileto de Cristo, que o entregou a pedido deste, para que a profecia se cumprisse. Dessa maneira, o ato consumado fora de total consentimento, conhecimento e convicção das consequências posteriores à tomada de decisão por parte de Iscariotes, estando lúcido em suas atitudes e fiel ao que compreendia ser o correto a fazer, mesmo arrependendo-se depois e suicidando-se.

Atualmente, ainda é perceptível os discípulos de Judas nos mais diversos setores da convivência humana, pessoas comuns que “aceitam” a proposta remunerada para compactuar com a elite burguesa na crucificação de muitos cristos inocentes; Sujeitos que abdicam dos princípios morais, éticos e de boas índoles familiares construídas ao longo de sua formação enquanto cidadãos esclarecidos, livres e desimpedidos de obrigações ou fidelidade para com o opressor; Parece que mudar de lado, corroborar com a injustiça e ser desleal ao grupo pertencente valerá a pena por algumas trinta moedas ou algo mais.

Entretanto, há séculos do acontecimento bíblico e seus desenrolares, onde a possibilidade de reflexão nem era tão permissível e aceitável, o cenário hoje é totalmente avesso ao vivenciado por Jesus e os discípulos. A iminência do erro ou equívoco mostra-se conforme o caráter do ser, suas posturas e crenças naquilo que for mais conveniente para enaltecer seu próprio ego, caindo em tentação com muito mais facilidade do que Judas em outrora passagem, mesmo que lúcido e sabedor das consequências também. No entanto, diferente do aprendiz solícito à Cristo, os traidores da atualidade o fazem por puro prazer (ou falta) em ver o sofrimento de seus irmãos – por vezes dele próprio – diante das injustiças no descumprimento de muitos direitos conquistados, sendo inocentes perante os “soldados romanos” desta época.

Portanto, enquanto houver contribuintes da opressão burguesa dentro da coletividade trabalhadora e produtora dos bens de consumo, conhecimentos, culturas e saberes, estará presente a figura de Judas Iscariotes apoderado e pleno, mesmo que com característica, possibilidades de reflexão, objetivos e cenários antagônicos, mas na mesma missão e compromisso de trair os seus, colaborando com “Roma” e a crucificação de cristos inocentes por algumas trinta moedas. Pessoas comuns, infelizmente, movem-se por dinheiro e recompensas momentâneas, pessoas honestas o fazem por dignidade e proteção do justo. A liberdade para Judas foi a morte por arrependimento, mas a libertação dos traíras deste século estará calcado numa vida de desprezo interior, num egocentrismo decadente, profundo e desolador.

3 comments
  1. Excelente argumentação Mizael, parabéns pela retórica. Infelizmente essa temática da traição é vastíssima e continua atual, especialmente quando se trata de trair a própria categoria ou grupo. Pois além de Judas outros fizeram a “história da traição” crescer, como Joaquim Silvério dos Reis. É importante salientar que geralmente o traidor é alguém também que pensa apenas nos seus próprios interesses e visa sempre se dar bem, independentemente de prejudicar toda uma categoria. Esperamos que tem essas atitudes possa refletir e mudar, pois dignidade é algo importante e que deve ser preservada!

  2. Está realidade nós mostra a decadência do homem, que apesar dos anos e dos avanços em tecnológia, ciência e infraestrutura, ainda continua com a mesma mentalidade de épocas bíblicas, a classe oprimida continua brigando pelas mesmas coisas, sabendo que só existe uma saída “A EDUCAÇÃO”. Segundo a Bíblia, o povo escolhido eram os “judeus” que esperavam um messias Nobre e Guerreiro, mas JESUS nasceu humilde e se tornou um “PROFESSOR”. Sabia ele que nenhuma outra forma era mais eficaz para libertar aquelas pessoas da escuridão, se não através do ensinamento. Fato que causou muito incômodo aos políticos da época, que viam em JESUS uma ameaça, um risco do Império romano perder o controle sobre o povo, que passou a questionar os altos impostos e as pessimas condições de vida. Nós dias atuais não é diferente, e brigar por uma educação melhor, de qualidade e igualitária se torna cada vez mais NECESSÁRIO. Pois, mesmo sendo garantida em lei, não é o que se cumpre na prática, pelo contrário, é uma das áreas mais sucateadas e menosprezada pelos governantes atuais, que falam de crise econômica mas não abrem mão de suas regalias, a crise é só para o pobre!?
    Mas como se livrar dos politicos corruptos, e de todas as mazelas da sociedade? Como isso pode se efetivar de fato é a pergunta do momento. JESUS já nós mostrou em sua passagem pela terra, “APENAS PELA EDUCAÇÃO!”. E revelo algo que todos já sebem, e ocorre desde a época de Cristo, não se investe em EDUCAÇÃO, por que é a forma mais eficiente de manutenção do poder, não é por acaso que os cargos políticos passam de pai pra filho, entram com cabelo preto e saem de cabelo branco! “Conhecereis a verdade e ela vós libertara” é Bíblico!

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