Conversação virtual, por Mizael Carvalho

É fato que ninguém aceita perder uma discussão, sendo difícil admitir a supremacia – mesmo que momentânea – do discurso do outro, pois há um sentimento de rebaixe e minimização diante da falta de argumentos que sustente o ego. As redes sociais e aplicativos de interação, que possibilitam trocas de mensagens instantaneamente, conduziram a nível pungente a relação de conversação midiática, suscitando ofensas globalizadas à vista de todos, por não querer ficar por baixo, não importando quem seja.

As diferentes formas de comunicação, proporcionada pelo crescimento exponencial das mídias interativas e virtuais, potencializaram a relação entre pessoas. Cada vez mais sofisticadas e com opções diversas de compartilhamento de informações e entretenimento, as redes sociais e aplicativos de trocas de mensagens expõe um cenário promulgador da conversação – aquela que estamos acostumados no formato presencial, sem os gestos corporais, é claro -, atividade mais exercida nessa era de Facebook’s, WhatsApp’s, ferramentas indispensáveis ao “estar presente” no convívio social, ultimamente.

Entretanto, o contraste de ideias e posicionamentos no meio virtual diverge, abundantemente, daquelas socializadas em presença física. A face do outro necessita de muito mais cuidado à preservação, pois não há o contato visual responsável pela harmonia nas trocas e tomadas de turno, onde a compreensão passa por movimentos faciais inexistentes na conversação através de mídias. Porém, o contexto é adverso disto, uma vez que a ferramenta tecnológica serve como escudo protetor dos usuários, achando-se no direito de insultar, ofender e atacar pensamentos divergentes, num instinto protetivo, egocêntrico e efêmero.

Além disso, essa tendência protetiva sobre a própria face é perceptível na medida em que o diálogo começa a tomar rumo, quando a face do outro prevalece, oferecendo riscos ao ego daquele que não aceita uma sobreposição mais eficaz e sensata. Nesse dilema vertiginoso, amizades esvaem-se, admiração e inspirações cai por terra, o que era referência já não têm qualquer sentido existencial, mesmo tudo sendo virtual. Uma enxurrada de pontos e contrapontos rancorosos descarregados na rede, à vista de um público insaciável por conteúdos difamatórios, embates compartilháveis que movimente o círculo vicioso da internet.

Assim como o tempo apresentou as ferramentas interativas virtuais, portanto, espera-se que o mesmo possa também proporcionar o equilíbrio e o entendimento no bom uso desses instrumentos facilitadores da interação social. Fortalecendo laços de frivolidade, tornando próximos quem estão distantes, invés de desencadear conversações infundadas e intermináveis, fazendo jus aos propósitos das redes sociais, aplicativos de trocas de mensagens e buscas na internet: compartilhar espaços de forma harmoniosa, mesmo longínquos fisicamente. Vamos aprendendo!