Caos anunciado, por Mizael Carvalho
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A falta de planejamento e obediência à legislação é causadora de comoção social e prejuízos irreparáveis aos usuários dos serviços oferecidos por órgãos públicos, seja na esfera estadual, municipal ou federal. No tocante ao município de Tailândia, no nordeste paraense, houve um devaneio por parte da gestão municipal em ludibriar a população sobre promessas de contento, tangenciando e desconsiderando o que fora determinado pelas instâncias jurídicas, desafiando a capacidade de movimento, mobilização e necessidades do povo.

O acontecimento da última sexta-feira, onde dezenas de trabalhadores e trabalhadoras de diversos setores – que tiveram seus contratos rescindidos, sem perspectiva de renovação por conta da medida judicial impetrada sobre o município para que não continuasse contratando – foram às ruas demonstrar a insatisfação e angústia pelo desemprego, não tendo como honrar compromissos mensais, bem como, cobrar resoluções positivas das autoridades sobre o ocorrido, fora só mais um dos muitos movimentos de desagrado popular na cidade, que já vem acontecendo desde o início da gestão atual.

As greves na educação – duas em menos de um ano – nortearam o recorrente problema que insistentemente vem sendo sustentado pelo governo: não cumprir o que a lei determina. Ao invés disso, recorre a instâncias jurídicas maiores e acaba adiando os trâmites legais que poderiam acalentar as massas. Entretanto, essas estratégias governamentais erradicam problemas internos, porém, aumentam embates e incitam aqueles esperançosos pelo cumprimento da lei, uma vez que a harmonia de um sistema requer legalidade nas ações dos líderes e agentes responsáveis pela manutenção da ordem coletiva.

Além disso, a anuência popular parece não importar muito, ou talvez importe demais, pois já são dois anos nesse entretenimento e queda de braços entre as vontades do gestor em agradar o povo e o que dista a legalidade nas ações e atitudes, conscientemente, executadas por todos que comungam às ordens direcionadas. O caos instaurado no município não é um evento inesperado, pois se as decisões judiciais tivessem sido cumpridas, com fins resolutivos de conflitos (no rigor das leis), remediado estariam os fervorosos ânimos e os componentes conjunturais, estruturais e sistemáticos de uma população que só almeja cuidado, respeito e valorização dos ocupantes de cargos administrativos e institucionais desta cidade, verdadeiramente.

Cumprir as obrigações governamentais, destarte, não se resume a tomar medidas paliativas para problemas que são, potencialmente, causadores de infortúnios coletivos, mas resguardar o direito constitucional de todos os envolvidos nesse processo. Compactuar com a lei, mesmo que despreze o caráter humanístico – por hora –, será sempre a melhor das escolhas quando tratar-se de interesses sociais relativamente complexos e que acarretará em transtornos futuros. Afinal, mais vale prevenir do que remediar, considerando fatos e procedimentos notáveis, no que tange a harmonia situacional em contextos problemáticos.

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