Cabresto (com)sentido! Por Mizael Carvalho

O pleito eleitoral se aproxima, mas o cenário nacional mostra-se arredio no que tange ao ideário de renovação política, vislumbrada por muitos brasileiros. Angariar votos para candidatos com ficha limpa e que assumam um compromisso de fazer diferente – daqueles que já têm a legislatura como profissão -, vai de encontro com velhas práticas eleitoreiras: “se votar, o que ganho?!”.

Em nosso país, a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal, voto direto e secreto, um direito próprio da condição de cidadão, que inclui tanto o poder de escolha dos representantes quanto a possibilidade de concorrer aos cargos públicos eletivos, sendo uma verdadeira conquista política para o povo brasileiro. Nestes termos, seria de conveniência cidadã optar por emissários(as) fidedignos(as) aos anseios por mudança na conjuntura em vigência. Embora seja perceptível a conduta antiética de muitos candidatos, parecem ser os “queridinhos” de uma parcela considerável da sociedade.

A honestidade ainda é a virtude que engrandece e dignifica uma pessoa, conduzindo-a nos princípios éticos e morais de uma nação. E isso deveria ser o ponto de partida para a escolha de bons representantes em tempos de eleições, tanto em esfera regional quanto nacional. No entanto, a inversão de valores, provocada pelo consumismo exacerbado, contribuiu com a fragilização do pensamento em prol do coletivo, vislumbrando somente o hoje, o agora, o individual. Ancorado nesse dilema populacional – votar em quem, para ganhar o quê?! – surgem os mal intencionados e oportunistas, prometendo mundos e fundos para continuar perpetuando no cargo, sem nada contribuir com o país.

Além disso, o “pedir voto” ficou mais acirrado do que nunca, haja vista que são poucos os eleitores conscientes de sua contribuição – presente e futura-, escolhendo representantes honestos. A preferência de parte da população apta a votar é por benefícios momentâneos e não duradouros, pois não há possibilidade de cobranças quando optam por barganhar seus votos àqueles desprovidos de qualquer responsabilidade para com o eleitorado. Em muitos casos, votar “ganhando” parece ser mais vantajoso do que somente exercer a cidadania, mesmo que as consequências com tal atitude seja desastrosa, não apenas para si, mas para todos.

A contemporaneidade, destarte, não impediu que antigos costumes disformes se propagassem no país, sustentando a máxima do “voto de cabresto” camuflado e aceito, desta vez. É inegável que “o barato sai caro”, principalmente quando está em voga um cenário extremista de retirada de direitos dos cidadãos, onde ricos e pobres continuam a se distanciar, mesmo compartilhando de um mesmo território, usufruindo recursos, comungando de quase todas as benesses produzidos no país. A frase correta seria, então: “se votar correto, ganho o quê?!”, pois teríamos mais coerência, nesta, do que naquela.