A quem interessa a verdade? Por Mizael Carvalho
(reprodução)

Refletir sobre a natureza do discurso da verdade nos direciona a diferentes concepções, conceitos e pontos de vistas das conveniências, seja individual ou coletiva. O sentido do que seja verdadeiro depende das construções subjetivas de cada sujeito, suas bases filosóficas, científicas e conhecimento do senso comum, que determinam o posicionamento interativo acerca das ações e reações nas práticas vivenciadas cotidianamente.

Em filosofia, uma designação tradicional de verdade diria que é aquilo que permanece inalterável a quaisquer contingências. Em outras palavras, a verdade espelha aquilo que é adquirir a certeza incontestável sobre algo. Porém o grande problema é que a verdade não possui um significado único, tampouco estático e definitivo, sendo influenciada por inúmeros fatores. Assim, em filosofia existem várias verdades, todas possíveis desde que exista a ausência de contradições, já que somente elementos que se anulam mutuamente poderiam invalidar a verdade.

No aspecto científico, as verdades visadas são aquelas que refletem a maneira como o mundo natural realmente funciona – independentemente de pontos de vistas particulares. Embora a ciência considere o emprego de diferentes termos, é importante ter em mente que estar interessado na verdade científica não implica de forma alguma rejeitar outras fontes de significado. Muitos cientistas, líderes espirituais, e pessoas comuns veem significados profundos tanto nas suas crenças espirituais como científicos.

Já para o senso comum, a verdade atrela-se ao modo individual de pensar da maioria das pessoas, construído a partir de experiências, vivências e observações do meio, onde é considerado verdadeiro aquilo que foi acordado pela maior quantidade possível de sujeitos ou proferido unicamente, por quem tenha prestígio social. Entretanto, essa definição, às vezes, pode ser um conselho e/ou ditos populares que são tidos como verdades e seguidos pelo povo. Isso suscitará, nos oportunistas, o ensejo de distorção do sentido de verdade e mentira, transformando uma na outra ou vice-versa.

Na sociedade dos fakenews, destarte, as verdades possibilitadas pela análise crítica da realidade, tangenciam muito mais os pressupostos do senso comum do que os filosóficos ou científicos, uma vez que é mais fácil “seguir a multidão” do que buscar suporte de autonomia sobre o fato ensejado. Entendendo que, sendo verdade ou não, a responsabilidade pela internalização e externalização do discurso é totalmente individual, subjetivo.

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