A desigualdade primeira… Por Mizael Carvalho

Desigualdade é uma das palavras mais proferidas nos últimos anos e uma das mais fáceis de definir, por qualquer um, por todos. Os motivos são muitos e variados que conduzem à conceituação, compreensão e ao entendimento deste termo. Mas esse cenário caótico da “sociedade da pobreza” é resultante da fragilidade nas práticas interativas dos sujeitos, que conduz ao individualismo exacerbado e ao egocentrismo profundo.

A temática sobre desigualdade é um desafio permanente para a sociedade, por sua complexidade e por permitir diferentes leituras da realidade com base no cotidiano das pessoas, cidades, territórios e nações. As muitas ramificações do termo: desigualdade econômica, desigualdade racial, regional, de gênero, etc., sinalizam para um elo comum: a pobreza. Visto que a reprodução social das desigualdades contribui para o aprofundamento das mais diversas situações de “pobreza” vinculadas às atitudes e ações de cada indivíduo, enquanto ser interacionista e oportunista.

Os processos interativos contemporâneos, enaltecidos pela revolução tecnológica e científica, onde as relações extrapolaram o contato físico e pessoal, demonstram a “entrega” dos sujeitos ao novo paradigma contextual. Dedica-se muito tempo às redes sociais – chamativas e atrativas – em detrimento do aspecto relacional presente entre pares e grupos, deixando de vivenciar e fortalecer atitudes coletivas que sobressaem às egocêntricas e subjugadoras dos menos favorecidos de oportunidades. Sendo perceptível, assim, que a riqueza interacionista, propiciada pelo advento das mídias, perpetua a pobreza nas atitudes coletivas, em que a ocasião faz o cidadão, de maior esperteza momentânea.

Além disso, é preciso considerar que o sujeito oportunista evidencia o sentido de pobreza, também, por meio das ações individuais, iniciativas egocêntricas reiteradas e o descompasso com práticas coletivas que apazigue ou minimize os efeitos catastróficos dessa palavra.

O desigual ocorre, primeiramente, no interior de cada pessoa (o “ser” ou “não ser”), externando esse conceito por meio das interações sociais no cotidiano, que ultimamente se faz com “ajuda” de mídias eletrônicas. Entretanto, quanto mais isolados das dinâmicas relacionais físicas, maiores serão os efeitos do individualismo comportamental nas ações e reações aos acontecimentos e oportunas situações. Ou seja, a desigualdade é fruto das mínimas possibilidades de empatia entre os sujeitos, territórios, cidades, países e nações, sendo ocasionada pela escassa abertura ao diálogo e perspectivas de comungar valores e filosofias harmoniosas ao contexto.

Sendo assim, o panorama contemporâneo de sociedade desigual é resultante das “pobrezas” do ser, enquanto sujeito consciente e racional, mediante práticas internas que esbarram na necessidade de ações coletivas que possibilitam o extermínio dos diversos tipos de desigualdades, discutidas, porém, inalteradas. É somente por intermédio da reflexão e conscientização interior, interações valorativas e fortalecimento de empatias, bem como o contato físico, presencial e saudável entre as pessoas que a “sociedade da pobreza” trilhará um caminho de riqueza humana, social, cultural e, principalmente, intelectual.

 

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