Foram várias as situações que agravaram o setor financeiro em todo o país com a chegada da pandemia do novo coronavírus. Demissões em massa, cortes de salários, quedas nas vendas e gastos inesperados contribuíram para o aumento da crise. Na tentativa de ajudar a população a equilibrar as dívidas, desde o início da pandemia o governo e centenas de empresas privadas adotaram medidas como a suspensão ou adiamento de dívidas e impostos. Porém, o momento de tranquilidade pode estar perto do fim. Com o início do segundo semestre de 2020, essas contas terão de voltar para a carteira, exigindo ainda mais controle financeiro de quem optou pelas prorrogações, e assim, poder amortizar os débitos. O DIÁRIO conversou com o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon PA/AP), Marcus Holanda, que deu dicas de como organizar os pagamentos.

Segundo o especialista, mesmo com o alerta de pandemia ainda ativo, as atividades econômicas já estão em processo de retomada. Então, é tempo de verificar e reorganizar a planilha orçamentária. “Nesse momento de resgate, se a receita voltou, a suspensão de trabalho cumpriu seu efeito e a pessoa passou novamente a receber seu salário, o ideal é que se recomponha a mesma planilha orçamentária que se tinha antes da pandemia”, afirmou Holanda.

PLANEJAMENTO

Se durante a retomada for verificado que o rendimento diminuiu por conta de outros fatores, a dica dada pelo economista é redesenhar sua planilha de despesas, partindo primeiramente para as dívidas de bens essenciais, aquelas relacionadas a moradia, saúde e alimentação. “Esses são os três primeiros itens fundamentais, que englobam também as contas de energia elétrica, telefonia e do consumo de água”, orientou o conselheiro.

Marcus ressalta que há ainda a possibilidade de cortar gastos que eram previstos, ajudando assim a equilibrar o orçamento mensal, como é o caso dos serviços de educação. “A prioridade da educação foi de certa forma reduzida, porque estamos de maneira geral com a aulas suspensas, tanto nas unidades públicas como particulares”, lembrou. “Então, se você ainda está pagando mensalidade e o retorno das aulas é somente no próximo ano, deveria ser pedida a suspensão da matrícula. Nada justifica você estar custeando um serviço sem usufruir”, completou. A mesma dica vale para as pessoas que estão pagando pelos serviços de instituições particulares de ensino superior, alertou o entrevistado.

Com a planilha organizada, o segundo passo é entrar em contato com as empresas para demonstrar interesse em fazer os pagamentos, sempre buscando as melhores negociações e ofertas, caso não seja possível fazer o pagamento dos valores integrais. “O credor quer saber se você vai pagar ou não. Então, se for o caso, antes dos vencimentos você já pode entrar em contato mostrando que não vai conseguir pagar e procurar outra forma de não ficar inadimplente”, explicou.

O economista diz ainda que é preciso manter o controle emocional para tomar as melhores decisões. “De nada adianta o desespero nesse momento. Se as contas não fecham, não se deve abandonar os cálculos e esquecer as dívidas. É preciso saber o quanto da despesa não está fechando e administrar a dívida, até mesmo para se ter um plano B”, comentou. A dica aqui seria a busca por uma segunda fonte de renda que ajude no pagamento das dívidas, priorizando sempre os itens de essencialidades.

Por Dol

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *